EUA atacam alvos do ISIS na Síria em resposta à morte de americanos

O ataque dos EUA ocorreu após a morte de dois militares no país.


Os Estados Unidos iniciaram, na noite desta sexta-feira (19), uma ampla ofensiva aérea contra o Estado Islâmico na Síria, cumprindo a promessa do presidente norte-americano Donald Trump de vingar a morte de dois soldados do Exército americano e de um intérprete civil americano, mortos em um ataque terrorista na região central do país no último sábado (13).

Segundo um oficial norte-americano ouvido pelo jornal The New York Times (NYT), que falou sob condição de anonimato para tratar de assuntos operacionais, caças, helicópteros de ataque e salvas de artilharia dos Estados Unidos atingiram dezenas de alvos que, segundo o governo dos EUA, têm ligação com o Estado Islâmico em diferentes áreas do centro da Síria, incluindo depósitos de armas e outros edifícios, em apoio às operações em curso.

De acordo com o mesmo oficial, os ataques aéreos e de artilharia deveriam durar várias horas, estendendo-se até a madrugada de sábado (20), na Síria, no que foi descrito como “um ataque massivo”.

Relatos publicados nas redes sociais na Síria indicaram explosões em amplas áreas do país durante a ofensiva.

O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, buscou amenizar os temores de que os Estados Unidos estivessem reabrindo uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio, mas indicou que as ações contra o Estado Islâmico tendem a se intensificar.

“Isto não é o início de uma guerra — é uma declaração de vingança”, afirmou Hegseth nas redes sociais. “Os Estados Unidos da América, sob a liderança do Presidente Trump, nunca hesitarão e nunca cederão na defesa do nosso povo.”

O secretário acrescentou: “Hoje, caçamos e matamos nossos inimigos. Muitos deles. E continuaremos.” Ele não forneceu outros detalhes sobre a operação.

Os militares mortos no último sábado representam as primeiras baixas americanas na Síria desde a queda do ditador Bashar al-Assad no ano passado. Eles apoiavam operações antiterroristas contra o Estado Islâmico em Palmira, cidade no centro do país, quando foram alvejados por um atirador solitário, segundo autoridades americanas e sírias.

Os ataques realizados nesta sexta-feira e a possibilidade de novas operações antiterroristas nos próximos dias sinalizam uma escalada militar significativa, em um momento em que os Estados Unidos reduziram sua presença na Síria para cerca de 1.000 soldados, aproximadamente metade do contingente mantido no início do ano. A redução refletiu a mudança no cenário de segurança após o colapso do governo Assad.

Nenhum grupo reivindicou a autoria do ataque que matou os militares americanos, embora avaliações iniciais do Pentágono e de autoridades de inteligência indiquem que a ação tenha sido, provavelmente, realizada pelo Estado Islâmico.

Autoridades militares dos EUA afirmaram que a ofensiva dá continuidade a quase 80 missões conduzidas desde julho para eliminar agentes terroristas na Síria, incluindo remanescentes do Estado Islâmico.