Os Estados Unidos designaram, nesta terça-feira (16), o Clã do Golfo, da Colômbia — atualmente o maior grupo armado ilegal do país — como organização terrorista. A decisão foi anunciada em um comunicado publicado no site do Departamento do Tesouro norte-americano.
A medida se insere na política do governo do presidente Donald Trump de classificar grupos criminosos na América Latina como organizações terroristas. Entre os exemplos citados por Washington está o Cartel de los Soles, apontado pelo governo dos EUA como uma suposta organização que atuaria na Venezuela sob o comando do ditador Nicolás Maduro.
No ano passado, o governo do então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, já havia imposto sanções aos principais líderes do Clã do Golfo, grupo que, nos últimos anos, passou a se autodenominar Exército Gaitanista da Colômbia.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificou o grupo como uma “organização criminosa violenta e poderosa”, cuja principal fonte de financiamento seria o tráfico de cocaína e que seria responsável por ataques terroristas em território colombiano.
“Os Estados Unidos continuarão a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossa nação e impedir as campanhas de violência e terror cometidas por cartéis internacionais e organizações criminosas transnacionais”, afirmou Rubio.
Atualmente, o Clã do Golfo mantém negociações com o governo do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, no Catar. As conversas fazem parte da estratégia do governo colombiano para avançar no processo de pacificação do país, que enfrenta mais de seis décadas de conflito armado envolvendo grupos guerrilheiros. O mandato de Petro se encerra em agosto de 2026.
Segundo declarou à agência Reuters o principal negociador do governo colombiano, os principais líderes do Clã do Golfo cumpririam pena de prisão em um eventual acordo. Ele acrescentou que as autoridades buscam tornar os avanços das negociações “irreversíveis” antes da posse de um novo governo, no próximo ano.
Nos últimos anos, o Clã do Golfo tem tentado se apresentar como uma entidade de natureza política, à semelhança de outros grupos armados colombianos, o que poderia lhe garantir condições diferenciadas nas negociações de paz. Analistas, no entanto, avaliam que o grupo não possui objetivos políticos concretos.




