Fed corta juros nos EUA pela 3ª vez seguida em 0,25 p.p.

Os juros caíram para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022.


O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, reduziu a taxa básica de juros do país em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, o menor nível desde setembro de 2022. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (10) e veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.

Este foi o terceiro corte consecutivo nos juros americanos e o terceiro realizado em 2025. Na reunião anterior, em 29 de outubro, o Fed já havia reduzido a taxa na mesma proporção, para o intervalo de 3,75% a 4% ao ano.

Segundo o banco central norte-americano, a decisão voltou a ser motivada pela preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho nos Estados Unidos. Os dados do setor começaram a ser divulgados novamente em novembro, com restrições, após o término do maior shutdown da história do país, que durou 43 dias. O shutdown ocorre quando o Congresso dos Estados Unidos não aprova o orçamento federal, levando à paralisação parcial do governo e à suspensão de serviços não essenciais, incluindo a divulgação de indicadores econômicos.

Embora o mercado de trabalho preocupe, dados recentes de inflação indicaram preços relativamente sob controle, ainda que acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. Esse cenário levou a autoridade monetária a priorizar o estímulo ao emprego em detrimento de um foco mais restritivo sobre a inflação. O Federal Reserve opera sob um mandato duplo: promover o máximo emprego e assegurar a estabilidade de preços.

A política monetária dos Estados Unidos gera reflexos no Brasil. Com juros mais baixos nos EUA, tende a diminuir a pressão para a manutenção da taxa básica brasileira (Selic) em níveis elevados, além de haver possíveis impactos sobre o câmbio, com valorização do real frente ao dólar.

Esta foi a oitava decisão de política monetária desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos Estados Unidos, em 20 de janeiro, e a terceira que resultou em corte de juros. Desde a posse, o cenário econômico se tornou mais adverso em razão da guerra tarifária promovida pelo republicano. Economistas, agentes de mercado e o próprio Fed vêm destacando os impactos das sobretaxas sobre a economia americana, sobretudo o risco de aumento da inflação ao consumidor, fator que havia levado o banco central a adiar reduções anteriores. Nos últimos meses, contudo, sinais de desaceleração do mercado de trabalho abriram espaço para os cortes.

MUDANÇAS NA PRESIDÊNCIA DO FED

Crítico recorrente das decisões do Federal Reserve, Donald Trump afirmou que anunciará, no início do próximo ano, o substituto do atual presidente da instituição, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio de 2026. Trump chegou a sinalizar a indicação do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que recusou o convite, o que levou o nome de Kevin Hassett, conselheiro econômico da Casa Branca, a ser apontado como favorito.

Em entrevista ao site POLITICO, publicada na terça-feira (9), Trump foi questionado se apoiar a redução dos juros seria um requisito para o próximo presidente do Fed. Ele respondeu: “Sim”. Também aparecem entre os cotados os governadores do Fed, Christopher Waller e Michelle Bowman. As movimentações ocorrem em meio à pressão do presidente norte-americano por cortes nos juros e à tentativa de ampliar sua influência sobre a política monetária do país, incluindo nomeações para a diretoria do banco central.