Hospitais do Reino Unido estão “sobrecarregados” por surto de cepa de gripe

A gripe chegou mais cedo devido a uma cepa mais agressiva do vírus.


O número de pacientes hospitalizados com gripe na Inglaterra atingiu um recorde para esta época do ano, e líderes do NHS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, alertam que o país enfrenta uma temporada de influenza sem precedentes. Dados do NHS mostram que houve, na semana passada, uma média de 1.700 internações por gripe, alta superior a 50% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os primeiros indicadores desta semana apontam para nova elevação nas hospitalizações.

A temporada de gripe começou um mês antes do habitual, e especialistas apontam a circulação de uma cepa mais agressiva do vírus. O diretor médico da Inglaterra, Sir Chris Whitty, afirmou que o NHS deve encarar com maior rigor doenças como pneumonia e gripe em idosos para reduzir mortes. Paralelamente, responsáveis pelo NHS pedem que pacientes não sobrecarreguem as emergências com problemas menores, após dados mostrarem que milhares recorreram aos hospitais no último inverno por condições simples, como soluços e unhas encravadas.

Segundo o NHS, entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, mais de 200 mil atendimentos em emergências no Reino Unido foram motivados por condições tratáveis em outros serviços, representando mais de 2% das consultas no período e consumindo recursos essenciais em unidades já pressionadas. Pacientes são orientados a procurar farmacêuticos, médicos de clínica geral ou o serviço NHS 111 para problemas menores.

O diretor de atendimento de urgência e emergência do NHS, Prof. Julian Redhead, afirmou que, além do aumento expressivo de casos de gripe, o sistema precisa se preparar para novas greves médicas antes do Natal. Os médicos da Associação Médica Britânica realizarão uma paralisação de cinco dias a partir de 17 de dezembro.

“Os números de hoje confirmam nossas maiores preocupações: o sistema de saúde está se preparando para uma onda de gripe sem precedentes neste inverno. Os casos estão incrivelmente altos para esta época do ano e ainda não há previsão de pico”, disse Redhead, acrescentando que as equipes poderão operar “próximas do limite” nas próximas semanas.

Quase 2% dos leitos já estão ocupados por pacientes com gripe, com a média da semana passada sendo a maior desde 2010. Em reunião do conselho do NHS, o diretor executivo, Sir Jim Mackey, alertou que as internações continuam subindo de forma acentuada. Ele estimou que, até o fim da próxima semana, entre 5.000 e 8.000 leitos poderão estar ocupados, superando o recorde atual de 5.400. Para ele, diante desse cenário, a greve médica parece “cruel”, “calculada” e voltada a “causar o caos”.

A Dra. Vicky Price, presidente da Sociedade de Medicina de Urgência, criticou a ênfase em atendimentos desnecessários, chamando-a de “cortina de fumaça” para ocultar problemas estruturais. Ela destacou que já houve quase meio milhão de esperas superiores a 12 horas nos serviços de urgência, resultado, segundo ela, do “fracasso em solucionar as questões antigas de capacidade, fluxo e força de trabalho”.