Resultado da COP30 foi decepcionante, diz chefe da ONU

A COP30 reuniu quase 200 delegações para discutir 145 temas climáticos.


O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou nesta quarta-feira (3) que o resultado final da cúpula climática COP30, realizada no Brasil em novembro, foi decepcionante, embora tenha demonstrado que o multilateralismo segue operante mesmo sem a participação dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, e em meio a tensões geopolíticas.

“Tenho sentimentos contraditórios em relação à COP”, declarou Guterres durante o evento Reuters Next, da agência Reuters. Segundo ele, “por um lado, acho que é notável que, com os Estados Unidos fazendo campanha contra e a indústria de combustíveis fósseis claramente determinada a garantir que as coisas não avançassem… com todos esses movimentos contra, foi possível chegar a um acordo e isso mostra que o multilateralismo funciona”.

A COP30, iniciada em 10 de novembro em Belém, no Pará, reuniu quase 200 delegações para discutir 145 tópicos, dos quais 20 foram classificados como mais substantivos pela presidência brasileira. No relatório final, o embaixador André Corrêa do Lago apontou um “alto grau de convergência e alinhamento” entre as contribuições dos países, embora tenha reconhecido que temas centrais permanecem em aberto e continuam a dividir delegações.

A conclusão da conferência expôs impasses em áreas sensíveis das negociações climáticas, como financiamento climático, metas para a ampliação desses recursos e reformas na arquitetura financeira global. A presidência brasileira propôs um acordo de compromisso após mais de duas semanas de debates, prevendo aumento do financiamento para países pobres afetados pelo aquecimento global. Contudo, o texto final não mencionou combustíveis fósseis, o que, segundo críticos, representa um retrocesso em relação ao entendimento anterior de reduzir gradualmente seu uso. Diversos países protestaram contra o encerramento da cúpula sem planos mais robustos para conter emissões ou enfrentar a questão dos combustíveis fósseis.

Guterres também destacou sua preocupação com a iminente ultrapassagem do limite de 1,5 °C estabelecido pelo Acordo de Paris. “Essa ultrapassagem significa que todos esses eventos que estamos presenciando se tornarão mais frequentes e mais dramáticos”, afirmou, em referência a tempestades e inundações severas. Ele reiterou que os países devem intensificar a redução de emissões e acelerar investimentos em tecnologias limpas de nova geração, como o hidrogênio verde. Segundo o secretário-geral, “o hidrogênio verde é provavelmente uma aposta importante que os países ocidentais deveriam fazer para se destacarem na próxima disputa de mercado”.