Aviões de guerra dos Estados Unidos estão realizando patrulhas constantes no espaço aéreo internacional próximo à Venezuela, sob o argumento de operações de combate ao narcotráfico. A informação foi divulgada pelo jornal norte-americano Washington Post neste sábado (29), que citou um funcionário do governo americano não identificado. As declarações ocorrem no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensifica suas ameaças contra o líder venezuelano Nicolás Maduro, que afirmou neste sábado que o espaço aéreo da Venezuela “deveria ser considerado totalmente fechado”. Trump não forneceu detalhes adicionais, gerando incertezas sobre suas reais intenções.
Analistas afirmam que a medida pode indicar o início iminente de ataques aéreos dos EUA contra alvos em território venezuelano. Outros observadores, porém, consideram que a estratégia pode ter como objetivo pressionar Maduro a fazer concessões e evitar uma ação militar direta. Para Adolfo Franco, advogado e estrategista republicano, uma intervenção dos EUA pode ser iminente. Ele afirmou ao veículo de mídia Al Jazeera, do Catar: “Os EUA já declararam zonas de exclusão aérea no passado… Isso significa que a atividade militar é iminente e que entrar nesse espaço aéreo é por sua conta e risco.” Segundo Franco, tais medidas têm efeito dissuasório e praticamente fecham o espaço aéreo para voos comerciais, devido aos riscos envolvidos.
Franco acrescentou que não está claro qual será o próximo passo de Trump, mas que “algo resultará disso”. Ele afirmou ainda que o governo americano não reconhece a legitimidade do regime venezuelano, considerado por Washington e por grande parte do Ocidente como uma ditadura resultante de eleições fraudulentas.
ESPAÇO AÉREO
Na manhã deste sábado, Trump declarou na rede Truth Social que companhias aéreas e pilotos devem considerar o espaço aéreo sobre e ao redor da Venezuela como fechado. “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado.”, escreveu, ampliando o tom das advertências feitas ao longo da semana.
Na quinta-feira (27), o presidente norte-americano já havia indicado que ofensivas terrestres contra grupos criminosos na Venezuela deveriam começar “muito em breve”. Ele também afirmou que o tráfico marítimo de drogas diminuiu em razão da intensificação da vigilância americana e que os EUA atuarão para impedir o transporte terrestre de entorpecentes.
A escalada ocorre após os Estados Unidos, no início desta semana, incluírem o Cartel de los Soles na lista de organizações terroristas, acusando-o de operar o envio de drogas para o território americano. O governo venezuelano nega as acusações e afirma que Washington tenta justificar uma intervenção.
Desde setembro, os EUA vêm reforçando sua presença militar no Caribe, com o envio de oito navios de guerra, caças F-35 e o porta-aviões USS Gerald R. Ford, a maior máquina marítima de guerra do mundo. Segundo Washington, a operação no Caribe tem como objetivo exclusivo o combate ao narcotráfico.




