Putin endurece e diz que derrotará Ucrânia “pela força das armas”

Putin exige reconhecimento das áreas ocupadas como russas.


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, reiterou na quinta-feira (27) suas principais exigências para encerrar a guerra na Ucrânia, afirmando que Moscou só deixará de combater caso as forças de Kiev se retirem dos territórios reivindicados pelo Kremlin.

Putin voltou a pressionar pelo reconhecimento legal das áreas ucranianas ocupadas pela Rússia, incluindo a Crimeia, anexada em 2014, e o Donbas, composto pelas regiões de Luhansk e Donetsk, atualmente em grande parte sob controle russo. Para Kiev, que descarta ceder as áreas do Donbas que ainda administra, recompensar a agressão russa está fora de questão.

Em conversa com repórteres no Quirguistão, Putin acusou Kiev de querer lutar “até o último ucraniano” — algo que, segundo ele, a Rússia também estava, “a princípio”, disposta a fazer. O presidente russo voltou a afirmar que as forças de seu país seguem motivadas e que o conflito só terminará quando as tropas ucranianas se retirarem das áreas em disputa. “Se eles não abrirem mão, conquistaremos isso pela força das armas”, declarou.

Apesar da retórica, os avanços russos no leste da Ucrânia têm ocorrido lentamente e com elevado custo humano. O Instituto para o Estudo da Guerra, dos Estados Unidos, avalia que, no ritmo atual, Moscou levaria quase dois anos para assumir completamente o controle da região de Donetsk.

Putin comentou ainda os recentes esforços diplomáticos envolvendo Estados Unidos e Ucrânia, que discutem um plano de paz inicialmente elaborado por autoridades americanas e russas. O documento, considerado em um primeiro momento favorável às exigências de Moscou, foi revisado, mas não abordaria a questão dos territórios ocupados — principal ponto de divergência entre os dois países. Segundo Putin, o novo rascunho já foi enviado à Rússia e pode servir de “base” para futuras negociações, embora ainda exija ajustes “em linguagem diplomática”.

Ao ser questionado sobre o possível reconhecimento da Crimeia e do Donbas sob controle de fato, mas não legalmente, Putin respondeu que este é “o ponto da nossa discussão com nossos colegas americanos”. Ele confirmou que uma delegação dos EUA, liderada pelo enviado especial de Donald Trump, Steve Witkoff, deve ir a Moscou na próxima semana. O presidente norte-americano afirmou que Witkoff pode ser acompanhado por Jared Kushner, genro de Trump. Já o chefe de gabinete da Presidência da Ucrânia, Andriy Yermak, disse que o secretário do Exército dos EUA, Dan Driscoll, deve visitar Kiev nos próximos dias.

Trump declarou na quarta (26) que restam “apenas alguns pontos de discordância” entre Rússia e Ucrânia e que qualquer reunião com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky dependerá da assinatura de um acordo.

Putin voltou a afirmar que considera a liderança ucraniana ilegítima e que, por isso, “não adiantava” firmar documentos com ela. A Ucrânia está sob lei marcial desde 2022 e não pôde realizar eleições. Ainda assim, o Parlamento ucraniano reafirmou unanimemente a legitimidade de Zelensky como presidente.

Enquanto a Casa Branca e Trump demonstram otimismo, líderes europeus têm expressado ceticismo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que Moscou mantém uma visão de “esfera de influência” sobre a Europa, classificando essa postura como típica de um pensamento pós-Segunda Guerra Mundial.