Os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiram não participar da cerimônia de sanção do projeto que isenta do imposto de renda (IR) quem recebe até 5 mil reais por mês. O evento ocorreu nesta quarta-feira (26), no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares e líderes do Congresso.
Entre os presentes estavam o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), relator do processo, e o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator no Senado. Ambos discursaram. A proposta havia sido apresentada pelo governo em março e foi aprovada por unanimidade no início de novembro.
A assessoria de Motta informou que ele não compareceria devido à “agenda intensa”. Já a equipe de Alcolumbre afirmou que ele passaria a manhã em reuniões com senadores. Aliados, porém, admitem que as ausências refletem insatisfação com o governo Lula. Mesmo assim, durante o evento, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que a ausência dos presidentes das Casas “em nada ofusca” a importância deles na tramitação do projeto. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também citou ambos, afirmando que foram “diligentes” na aprovação.
O Planalto havia criado um grupo de mensagens com as equipes de Alcolumbre e Motta para organizar a presença deles e ofereceu tempo de fala livre durante a cerimônia, sem sucesso. Pessoas próximas a Alcolumbre afirmam que “não tem clima” para participar de atos com o governo. No caso de Motta, aliados dizem que, após ser acusado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) de tentar “roubar o protagonismo do governo” na tramitação do PL Antifacção, ele decidiu “deixar” o protagonismo ao Executivo no evento do IR. O fato de Alcolumbre também faltar pesou na decisão.
Pela manhã, Motta publicou mensagem celebrando a sanção da isenção: “Hoje a isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais se torna lei. Uma vitória histórica para milhões de brasileiros”. Ele destacou a rapidez da análise na Câmara e a ampliação da redução da alíquota para rendas de até 7.350 reais.
A relação entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Congresso se deteriorou na segunda-feira (24), após declarações públicas evidenciarem atritos com o governo. Na Câmara, Motta rompeu politicamente com o líder do PT, Lindbergh Farias. No Senado, a indicação de Jorge Messias por parte de Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF) gerou insatisfação em Alcolumbre, que trabalhava pela escolha do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado.
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), afirmou que divergências não devem impedir o avanço de projetos prioritários. Segundo ele, “a paz deve reinar” e as diferenças entre líderes de bancada e a liderança do governo não devem comprometer votações. Guimarães reforçou que seguirá dialogando com todos os partidos, apesar das tensões.




