O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que o governo federal una esforços com empresas de tecnologia e universidades norte-americanas para transformar dados governamentais em avanços científicos, reforçando a estratégia de posicionar a inteligência artificial (IA) como motor do futuro econômico do país.
A iniciativa, denominada Missão Gênesis, foi apresentada em uma ordem executiva assinada na segunda-feira (24). O documento orienta o Departamento de Energia dos EUA e os laboratórios nacionais a desenvolverem uma plataforma digital capaz de concentrar, em um único ambiente, os principais dados científicos do país.
O projeto prevê parcerias com o setor privado e instituições acadêmicas para aplicar suas capacidades de IA na solução de desafios relacionados à engenharia, à energia e à segurança nacional, incluindo a otimização da rede elétrica nacional do país. Segundo autoridades da Casa Branca, que falaram sob condição de anonimato à agência Associated Press (AP) antes da assinatura, o esforço não citou especificamente avanços médicos. A ordem executiva afirma que “a Missão Genesis reunirá os recursos de pesquisa e desenvolvimento de nossa nação – combinando os esforços de brilhantes cientistas americanos, incluindo aqueles em nossos laboratórios nacionais, com empresas americanas pioneiras; universidades de renome mundial; e infraestrutura de pesquisa existente, repositórios de dados, fábricas e instalações de segurança nacional – para alcançar uma aceleração drástica no desenvolvimento e utilização da IA”.
O governo americano descreveu o programa como a maior mobilização de recursos científicos federais desde o programa Apollo – os programas espaciais lunares dos EUA que levaram o ser humano à Lua –, apesar dos cortes de bilhões de dólares em pesquisa e da perda de milhares de postos científicos ao longo dos últimos anos.
Trump tem intensificado sua aposta no setor de tecnologia como impulsionador do crescimento econômico dos EUA. Na semana passada, recebeu o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que prometeu investir US$ 1 trilhão nos Estados Unidos para transformar o país árabe em um polo global de dados de IA. Nos EUA, os recursos destinados ao Departamento de Energia fazem parte do amplo pacote de cortes fiscais e de gastos públicos sancionado por Trump em julho, segundo autoridades da Casa Branca.
A expansão da inteligência artificial tem levantado preocupações quanto ao aumento do consumo energético e ao impacto nas tarifas de eletricidade. O governo norte-americano argumenta que, com o avanço tecnológico, os custos tendem a diminuir e a capacidade das linhas de transmissão deve ser ampliada. De acordo com a Agência Internacional de Energia, os centros de dados responderam por cerca de 1,5% do consumo global de eletricidade no último ano, podendo mais que dobrar até 2030.
O projeto utilizará supercomputadores dos laboratórios nacionais e também capacidades privadas, exigindo mecanismos de controle para proteger dados públicos, incluindo informações sensíveis de segurança nacional.




