O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de terça-feira (18) que designará a Arábia Saudita como um importante aliado não pertencente à OTAN — a aliança militar ocidental do Atlântico Norte —, marcando um avanço nos laços de defesa entre os Estados Unidos e a monarquia do Golfo.
O anúncio foi feito durante um jantar de gala na Casa Branca, em homenagem ao príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, líder de fato do reino. Mais cedo, os dois assinaram um novo acordo estratégico de defesa, enquanto Trump declarou na segunda-feira (17) que os EUA venderão caças F-35 de quinta geração à Arábia Saudita.
A designação deve ampliar a cooperação militar entre os dois países, facilitando o acesso saudita a equipamentos de defesa fabricados nos EUA. O presidente norte-americano afirmou, em declarações breves na noite de terça-feira, que a medida levará “nossa cooperação militar a patamares ainda mais elevados”.
Atualmente, 20 países têm o status de grandes aliados não pertencentes à OTAN, incluindo Israel, Catar, Kuwait, Bahrein, Egito, Tunísia e Jordânia.
“Uma aliança mais forte e mais capaz promoverá os interesses de ambos os países e servirá aos mais altos interesses da paz”, disse Trump no jantar.
A parceria entre EUA e Arábia Saudita remonta a oito décadas, iniciada em 1945 com o encontro entre o Rei Abdulaziz Ibn Saud e o então presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, a bordo de um cruzador da Marinha americana. A cooperação em defesa tem sido uma constante desde então, reforçada pela rivalidade comum com o Irã.
Durante as reuniões de terça-feira, marcadas por cerimônias solenes na Casa Branca e uma demonstração aérea militar, Trump defendeu a ampliação das relações militares e econômicas. Segundo a Casa Branca, a Arábia Saudita comprará centenas de tanques e caças e firmará parcerias com os EUA nas áreas de inteligência artificial e energia nuclear civil. Bin Salman anunciou que pretende investir quase US$ 1 trilhão nos Estados Unidos, acima dos US$ 600 bilhões prometidos anteriormente.
Membros da família do presidente americano mantêm interesses comerciais no país, mas Trump afirmou que “não tem nada a ver” com esses negócios e que “na verdade, eles fizeram muito pouco com a Arábia Saudita”.
Ainda não está definido se o reino aderirá aos Acordos de Abraão, pactos diplomáticos intermediados por Trump entre Israel e países de maioria muçulmana. Durante evento no Salão Oval, bin Salman declarou que deseja participar, desde que haja um caminho viável para a criação de um Estado palestino. Trump afirmou que os dois “tiveram uma conversa muito boa sobre os Acordos de Abraão”.
A Arábia Saudita, porém, permanece sob críticas internacionais por violações de direitos humanos. Em 2021, agências de inteligência dos EUA concluíram que bin Salman aprovou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, ocorrido em 2018. Na terça-feira, Trump disse acreditar que o príncipe saudita “não sabia de nada” e classificou Khashoggi como “extremamente controverso”. Bin Salman afirmou que foi “realmente doloroso ouvir” sobre o crime.




