Porta-aviões dos EUA custa mais que o PIB de 88% das capitais do Brasil

O USS Gerald R. Ford custou mais de US$ 24 bilhões — cerca de R$ 127 bilhões.


O porta-aviões dos Estados Unidos USS Gerald R. Ford deixou o Mar Mediterrâneo no início deste mês e chegou ao Mar do Caribe, alterando o cenário geopolítico regional e ampliando a tensão entre os países vizinhos.

Algumas características do maior navio de guerra do mundo chamam a atenção. O USS Gerald R. Ford custou mais de US$ 24 bilhões — cerca de R$ 127 bilhões —, valor superior ao produto interno bruto da maioria das capitais brasileiras. Segundo dados do IBGE de 2021, apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília têm PIB maior que o custo do porta-aviões norte-americano. A embarcação tem 337 metros de comprimento, o equivalente a três campos de futebol, 78 metros de largura e 76 metros de altura. Pode comportar até 75 aeronaves — ou 90, incluindo drones —, e sua tripulação é formada por 4.600 militares. O navio é capaz de realizar até 200 decolagens em um único dia. “Nenhum outro país tem porta-aviões com as dimensões e a capacidade destes que os Estados Unidos operam atualmente”, afirmou Andrei Serbin Point, do centro latino-americano de pesquisa CRIES.

Desde setembro, as Forças Armadas americanas afirmam ter matado mais de 80 pessoas em uma campanha de combate ao narcotráfico, que inclui ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico. Segundo Washington, os alvos transportavam drogas. O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciou na última quinta-feira (13) a operação Lança do Sul, destinada a combater o que classificou como “narcoterroristas” e a proteger o país do tráfico de drogas. A ação será conduzida pelo Comando Militar Sul dos EUA, responsável por operações no Caribe e na América Latina.

Nas últimas semanas, os EUA intensificaram a presença de navios e aeronaves militares próximos à costa da Venezuela, movimento que o governo de Nicolás Maduro considera preparatório para uma possível invasão. Na semana passada, a Marinha americana informou a chegada do USS Gerald R. Ford à área de operações na América Latina, em apoio a ações para “desmantelar organizações criminosas transnacionais”. O grupo de ataque do porta-aviões se soma ao amplo contingente militar dos EUA no Caribe, composto por navios de guerra, jatos de combate, helicópteros de operações especiais e aviões bombardeiros.