OTAN afunda fragata em exercício e alerta para risco de agressão russa

A Rússia pode testar as defesas da OTAN em até quatro anos, possivelmente já em 2030, mirando os países bálticos.


A aliança militar ocidental, a OTAN, divulgou no sábado (15) imagens do exercício militar Aegir 25, realizado no mar da Noruega, com o objetivo de demonstrar sua capacidade de ataque. No vídeo publicado nas redes sociais, a aliança mostra o afundamento de uma fragata dinamarquesa desativada após ser atingida por um torpedo disparado por um dos submarinos participantes. Veja o vídeo aqui.

Segundo o comando aliado da OTAN em Norfolk — cidade localizada no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, onde fica o Comando Aliado de Transformação da aliança —, o treinamento foi conduzido para “verificar e demonstrar o poder de ataque que a arma e o submarino representam”. O exercício ocorre pouco mais de um mês após um episódio de tensão entre a aliança e a Rússia, motivado por acusações de que drones russos teriam violado o espaço aéreo de países europeus.

Em 2 de outubro, ao comentar o assunto, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ironizou as denúncias: “Não vou mais mandar drones para a Dinamarca, prometo”. O líder russo afirmou ainda que está enfrentando “quase toda a OTAN” e acusou governantes europeus de alimentar uma “histeria” sobre uma suposta guerra iminente contra Moscou. Autoridades do lado ocidental da Europa apontavam violações do espaço aéreo por drones sobre a Polônia e por caças sobre a Estônia. A Dinamarca chegou a fechar aeroportos após incidentes semelhantes.

Putin criticou a reação europeia: “Eles repetem esse absurdo, esse mantra, repetidamente. … Ou são incompetentes se realmente acreditam nisso, porque é impossível acreditar nesse absurdo, ou são simplesmente desonestos. Quero apenas dizer: acalmem-se, durmam tranquilos e cuidem dos seus próprios problemas. Basta ver o que acontece nas ruas das cidades europeias”.

As preocupações com a postura russa cresceram novamente nesta segunda-feira (17), após o jornal britânico The Guardian publicar declarações do Comissário Europeu de Defesa, Andrius Kubilius. Segundo ele, a Rússia poderá testar as defesas da OTAN nos próximos dois a quatro anos, possivelmente já em 2030, tendo os países bálticos como potenciais alvos iniciais. Kubilius afirma que a avaliação se baseia em alertas públicos de serviços de inteligência da Alemanha, Dinamarca, Finlândia e Holanda.

“Podemos apenas supor que, nesse caso, os Estados Bálticos serão um dos alvos preferenciais da nova agressão do Kremlin. Será uma agressão também contra toda a OTAN e contra toda a União Europeia (UE)”, disse o comissário. Ele defendeu que os países ocidentais aprendam com a experiência ucraniana e acelerem seus programas de defesa: “Minha principal mensagem hoje é: vamos perguntar aos ucranianos como se preparar para a defesa e como eles podem nos ajudar a estar preparados”.

A preocupação é compartilhada por serviços de inteligência europeus. O novo presidente do Serviço Federal de Inteligência Estrangeira da Alemanha (BND, na sigla em alemão), Martin Jäger, afirmou que Putin está pronto para testar fronteiras europeias e pode provocar confrontos militares a qualquer momento. A inteligência militar ucraniana também declarou que Moscou considera inevitável, no médio prazo, um conflito de larga escala na Europa.

Em resposta, a União Europeia prepara uma reforma abrangente de defesa, incluindo a produção conjunta de drones. O objetivo de Bruxelas — sede da OTAN e da UE — é tornar o continente capaz de reagir a uma guerra até 2030.