Aliados de Lula pedem criação de agência semelhante ao FBI

A criação da agência dependeria de uma PEC, que exige apoio de 3/5 da Câmara e do Senado em dois turnos de votação.


Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) articulam a criação de uma Agência Nacional Antimáfia para reforçar o enfrentamento às facções criminosas e promover a retomada de áreas dominadas por essas organizações.

A proposta se inspira em modelos internacionais, como o FBI, dos Estados Unidos, a Direzione Investigativa Antimafia (DIA), da Itália, e a National Crime Agency (NCA), do Reino Unido.

Segundo informações de um blog da emissora GloboNews, divulgadas na quinta-feira (13), auxiliares do presidente demonstram preocupação com o impacto da segurança pública sobre os planos de reeleição em 2026. A pesquisa Quaest divulgada nesta semana indica que Lula voltou a empatar com Jair Bolsonaro (PL) e perdeu vantagem para outros adversários da direita.

Para tentar reverter esse cenário, uma ala do PT, com apoio dentro do Planalto, defende a criação de um órgão especial voltado ao combate ao crime organizado — seja por meio da recriação do Ministério da Segurança Pública, extinto após o governo Michel Temer (MDB), seja pela criação de uma secretaria exclusiva para o tema. A Agência Nacional Antimáfia surge como alternativa nesse contexto.

A justificativa é que a fragmentação das políticas de segurança, a cooptação de agentes públicos e outras falhas têm enfraquecido o combate a facções como Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), entre outras. A reocupação de territórios é considerada um objetivo central. Pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), realizada em junho, aponta que ao menos 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob domínio de milícias ou facções.

A criação da agência exigiria a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que precisa do apoio de 3/5 dos deputados e senadores em duas votações em cada Casa — trâmite que tende a enfrentar resistência, como demonstra a dificuldade de avanço do projeto de lei antifacções.

O plano também pode encontrar oposição dentro do próprio governo e na Polícia Federal (PF). A proposta prevê que a nova agência seja vinculada ao Ministério da Justiça, com autonomia operacional. Em agosto, quando uma ideia semelhante foi discutida, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, criticou a movimentação: “Alguns, por interesses desconhecidos, querem criar uma nova agência para combater crime organizado, minha resposta é muito direta: essa agência já existe e ela é a Polícia Federal, que coordena ações em todo o Brasil de maneira integrada com todos os nossos parceiros nas 27 unidades da federação”.