As exportações da China registraram queda inesperada em outubro, após meses de antecipação de encomendas por parte de empresas dos Estados Unidos para evitar novas tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump. O recuo reforça a forte dependência da indústria chinesa dos consumidores americanos, mesmo diante dos esforços de Pequim para diversificar mercados.
Desde a eleição de Trump, em novembro do ano passado, a China tentou ampliar laços comerciais com o Sudeste Asiático e a União Europeia, preparando-se, naquele período, para uma provável retomada da guerra comercial, que se concretizou após o início do mandato de Trump, em 20 de janeiro. Contudo, nenhum mercado se aproxima do volume anual vendido aos EUA, que supera 400 bilhões de dólares. Economistas estimam que essa perda reduziu o crescimento das exportações em cerca de 2 pontos percentuais, ou aproximadamente 0,3% do PIB da China.
Dados alfandegários divulgados nesta sexta-feira (7) mostram queda de 1,1% nas exportações em outubro, pior desempenho desde fevereiro, revertendo o avanço de 8,3% em setembro e frustrando a previsão de alta de 3,0% da pesquisa da agência Reuters. “Aparentemente, a corrida para enviar mercadorias aos EUA antes do aumento das tarifas diminuiu em outubro”, afirmou Zhang Zhiwei, economista-chefe da Baoyin Capital Management.
As remessas para os EUA recuaram 25,17% em relação ao ano anterior. As destinadas à União Europeia e ao Sudeste Asiático cresceram 0,9% e 11%, respectivamente. Analistas avaliam que os fabricantes chineses já escoaram ao máximo sua capacidade recente de produção. “Acho que o PMI já nos alertava que as exportações chinesas não podem continuar crescendo indefinidamente, e isso não se deve apenas aos EUA, mas à desaceleração da economia global”, disse Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe da Natixis à Reuters. Ela acrescentou que o quarto trimestre será mais difícil para a China, com reflexos no primeiro semestre de 2026.
O yuan, a moeda chinesa, registrou leve desvalorização após a divulgação dos dados. A trégua tarifária acordada entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping reduziu tensões, mas os produtos chineses continuam sujeitos a uma tarifa média de cerca de 45%, acima do nível de 35% que, segundo economistas, compromete as margens de lucro. Para Woei Chen Ho, economista do UOB Singapura, a trégua estabiliza o curto prazo, mas a tendência é de redução da interdependência comercial.
A demanda interna na China segue insuficiente para impulsionar o crescimento. As importações avançaram apenas 1%, ritmo mais fraco em cinco meses. O governo anunciou que pretende elevar de forma significativa a participação do consumo das famílias no PIB entre 2026 e 2030.
As importações de soja, petróleo bruto e minério de ferro cresceram, enquanto as compras de cobre diminuíram devido aos preços elevados e à prolongada crise do setor imobiliário.




