Nigéria diz aceitar intervenção militar dos EUA no país

Trump disse ter mandado preparar ação militar rápida na Nigéria.


A Nigéria afirmou neste domingo (2) que acolheria o apoio dos Estados Unidos no combate a insurgentes islâmicos, desde que sua soberania seja respeitada, após o presidente norte-americano Donald Trump ameaçar uma eventual ação militar no país africano em razão de ataques contra cristãos.

Trump declarou no sábado (1º) que ordenou ao Departamento de Defesa dos EUA que se preparasse para uma possível ação militar “rápida” na Nigéria, caso o governo nigeriano “continue permitindo o assassinato de cristãos”. Ele afirmou ainda que toda a assistência americana ao país seria imediatamente suspensa e que os EUA poderiam “entrar naquele país agora desonrado, ‘com armas em punho’, para eliminar completamente os terroristas islâmicos”.

O presidente norte-americano também anunciou que incluirá a Nigéria na lista de “países de particular preocupação” em matéria de liberdade religiosa, afirmando que “o cristianismo enfrenta uma ameaça existencial na Nigéria” e que “islamitas radicais são responsáveis por esse massacre”. Segundo ele, pedirá ao Congresso americano um relatório com recomendações sobre a resposta norte-americana. “Os Estados Unidos não podem ficar de braços cruzados enquanto tais atrocidades acontecem na Nigéria e em inúmeros outros países. Estamos prontos, dispostos e aptos a salvar nossa grande população cristã ao redor do mundo.”

Em resposta, o porta-voz da presidência nigeriana, Daniel Bwala, afirmou à agência Reuters: “Acolhemos com satisfação a ajuda dos EUA, desde que esta reconheça a nossa integridade territorial. Tenho certeza de que, quando esses dois líderes se encontrarem e se reunirem, haverá melhores resultados em nossa resolução conjunta de combater o terrorismo.”

O presidente nigeriano, Bola Tinubu, rejeitou as acusações de intolerância religiosa e defendeu as ações de seu governo para garantir a liberdade de culto. A Nigéria, com mais de 200 milhões de habitantes, é dividida entre um norte majoritariamente muçulmano e um sul predominantemente cristão. A insurgência islâmica dura há mais de 15 anos e permanece concentrada no nordeste do país. Embora cristãos estejam entre as vítimas, analistas observam que a maioria dos mortos é muçulmana.