EUA prontos para ajudar países asiáticos a combater “China agressiva”

As falas ocorreram após patrulha conjunta de Austrália, Nova Zelândia, Filipinas e EUA no Mar do Sul da China.


O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, criticou Pequim neste sábado (1°) pelo aumento das “ações desestabilizadoras” no Mar do Sul da China e reafirmou o compromisso de Washington em apoiar países do Sudeste Asiático com tecnologia para fortalecer respostas conjuntas às ameaças chinesas na região.

Em seu segundo dia de agendas em Kuala Lumpur, na Malásia, que incluiu reuniões multilaterais com Austrália, Japão e Filipinas, Hegseth propôs aos ministros da Defesa da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) a construção de uma plataforma regional de consciência situacional marítima. Segundo ele, Pequim tem demonstrado falta de respeito e ameaça à soberania de vários países. “Você vivencia isso com base nas ameaças que todos enfrentamos devido à agressão da China e às suas ações no Mar da China Meridional e em outros lugares”, afirmou. O secretário norte-americano ressaltou a necessidade de desenvolver capacidades conjuntas de monitoramento e resposta rápida a incidentes. “Garantindo que quem quer que seja alvo de agressão e provocação não esteja, portanto, por definição, sozinho.” Ele acrescentou que “ninguém consegue inovar e crescer como os Estados Unidos da América” e que Washington pretende compartilhar capacidades com aliados e parceiros.

As declarações ocorreram um dia após forças armadas de Austrália, Nova Zelândia, Filipinas e Estados Unidos realizarem patrulha conjunta no Mar do Sul da China, movimento criticado por Pequim como prejudicial à estabilidade. A China reivindica quase toda a região por meio de uma linha que se sobrepõe às zonas econômicas exclusivas de Brunei, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã. Pequim tem mobilizado embarcações da guarda-costeira em áreas contestadas, sendo acusada de confrontos com navios filipinos e de interferir em atividades energéticas de países vizinhos. O governo chinês nega agressividade e afirma agir na defesa de seu território. Na sexta-feira (31), o ministro da Defesa chinês, Dong Jun, apelou a uma cooperação mais estreita com a ASEAN para “unir forças no leste”.

A viagem de Hegseth ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar ter solicitado o início de testes das capacidades nucleares americanas após 33 anos de interrupção. Questionado sobre o tipo de teste, Hegseth afirmou que detalhes serão divulgados oportunamente, destacando que “testá-las é apenas uma medida prudente”. No fórum, ele reiterou que os EUA buscam a paz, mas advertiu que as ações de Pequim devem ser monitoradas. “Não buscamos o conflito, mas devemos garantir que a China não esteja tentando dominar vocês ou qualquer outra pessoa”, afirmou.