O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (31) que não pretende realizar um ataque militar na Venezuela. A declaração ocorre após o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, levantar a hipótese de uma incursão, citando a presença de navios e caças norte-americanos em águas do Caribe, próximas à costa venezuelana, sob o argumento de combater embarcações de narcoterroristas.
Questionado por repórteres sobre a possibilidade de incursões militares no país, Trump respondeu de forma sucinta: “não”. A declaração contrasta com falas recentes do próprio presidente norte-americano, que, nas últimas semanas, afirmou que as Forças Armadas americanas poderiam atacar narcotraficantes dentro do território venezuelano.
A negativa também entra em choque com uma reportagem publicada pelo jornal The Wall Street Journal na quinta-feira (30), segundo a qual Washington estaria avaliando bombardear bases militares venezuelanas. O jornal relatou que o Exército dos EUA identificou portos, aeroportos, bases navais e pistas de pouso supostamente utilizados pelo tráfico de drogas como possíveis alvos, sob a justificativa de que militares venezuelanos dariam suporte a organizações criminosas.
Nesta sexta, o jornal Miami Herald, do estado da Flórida, afirmou que o governo Trump já teria decidido realizar ataques e que eles poderiam ocorrer nos próximos dias ou até horas, embora outros veículos americanos ainda não confirmem essa informação.
Apesar da negativa pública, a movimentação militar americana na região aumentou a tensão. O envio do maior porta-aviões do mundo ao Caribe, o USS Gerald R. Ford, acompanhado de dezenas de navios e aeronaves, foi interpretado por analistas como sinal de disposição para o uso de força além da interceptação de embarcações no mar. Trump já admitiu ter autorizado operações secretas da CIA, agência de inteligência dos Estados Unidos, na Venezuela, e dá sinais de buscar a saída de Maduro do poder.
Na semana passada, o presidente norte-americano afirmou que pretende realizar ações terrestres contra cartéis de drogas. Fontes do governo dos EUA informaram à emissora CNN que ele considera atacar instalações de produção de cocaína e rotas de tráfico dentro da Venezuela. Washington acusa Maduro de chefiar o Cartel de Los Soles e dobrou para US$ 50 milhões a recompensa por sua captura.
Maduro, por sua vez, acusa os EUA de tentar provocar uma mudança de regime e afirma que o país “está inventando uma guerra”. O ditador venezuelano apelou, em inglês, para “não à guerra maluca” e realizou exercícios militares no último sábado (25) para, segundo ele, proteger o litoral venezuelano de “operações encobertas” americanas. Ele também tentou negociar com Trump acesso a recursos naturais do país, sem sucesso. A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 300 bilhões de barris.
O governo americano declara que sua operação militar visa conter o fluxo de drogas para os EUA. No entanto, dados do Relatório Mundial sobre Drogas de 2025, da ONU, indicam que o fentanil — principal causa de overdoses no país — tem origem sobretudo no México, e não na Venezuela.




