Trinidad e Tobago colocou suas Forças Armadas em “alerta geral” nesta sexta-feira (31) e convocou todos os militares a retornarem imediatamente às bases, em meio ao aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe e à possibilidade de uma ação militar americana na Venezuela. A medida foi comunicada em mensagem interna das Forças de Defesa de Trinidad e Tobago (TTDF), divulgada pelas autoridades de segurança e vista pela agência AFP.
“Alerta máximo: Com efeito imediato, as Forças de Defesa de Trinidad e Tobago (TTDF) estão em NÍVEL DE ALERTA UM. Todos os membros devem se apresentar em suas respectivas bases”, afirma o comunicado. A polícia local também cancelou “todas as licenças”. Os militares foram instruídos a se apresentar às 18h no horário local (19h em Brasília) e orientados a tomar “arranjos necessários com suas famílias” e concluir “preparativos pessoais para o autoisolamento”.
O movimento ocorre paralelamente à mobilização de meios militares norte-americanos no Caribe, que Washington afirma ser destinada ao combate ao narcotráfico. A Venezuela, por sua vez, classifica a operação como uma “ameaça” e argumenta que os Estados Unidos buscam uma “mudança de regime” em Caracas.
Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou estar avaliando ataques militares contra a Venezuela, após reportagens sugerirem que uma ofensiva poderia ser iminente. O jornal Miami Herald afirmou que um ataque “poderia ocorrer a qualquer momento”, enquanto o Wall Street Journal indicou que alvos militares venezuelanos já estariam identificados. Questionada sobre as publicações, a porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, declarou nesta sexta-feira que “fontes não identificadas não sabem do que estão falando” e que qualquer anúncio partiria de Trump.
Washington acusa Nicolás Maduro de liderar um cartel de drogas e, desde agosto, conduz operações antidrogas no Caribe e no Pacífico, com ao menos 62 mortos em 16 ações contra embarcações.
A crise diplomática entre Caracas e Porto Espanha se agravou após Trinidad e Tobago apoiar as ações norte-americanas e receber, no último domingo (26), o destróier USS Gravely para exercícios militares. A Venezuela classificou o gesto como “provocação” para incitar uma “guerra”. Em resposta, a Assembleia Nacional venezuelana declarou a primeira-ministra Kamla Persad-Bissessar persona non grata no país, e Nicolás Maduro suspendeu acordos de fornecimento de gás vigentes desde 2015.




