Governadores de partidos de direita se reuniram no Rio de Janeiro na quinta-feira (30) para manifestar apoio ao governador fluminense Cláudio Castro (PL), após a operação policial considerada a mais letal da história do país, que deixou 121 mortos até o momento. No encontro, foi anunciada a criação do chamado Consórcio da Paz, formado para articular ações conjuntas de combate ao crime organizado.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), participou por videoconferência e elogiou a atuação fluminense. “O estado do Rio de Janeiro agiu muito bem, fez a diferença”, afirmou. Além dele e de Castro, estiveram presentes nomes apontados como potenciais candidatos à Presidência em 2026, como Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás. Também participaram Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina; Eduardo Riedel (PP), de Mato Grosso do Sul; e Celina Leão (PP), vice-governadora do Distrito Federal.
Segundo Castro, o consórcio seguirá modelos já utilizados para cooperação entre unidades federativas. “Vai ser no modelo de consórcios que já existem para que possamos dividir experiências e ações de combate ao crime e conseguir a libertação do nosso povo”, disse, em entrevista coletiva no Palácio Guanabara.
Os governadores adotaram tom crítico ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Zema afirmou que a operação foi “extremamente bem-sucedida” e destacou a ausência de apoio federal. “Temos um presidente que vai lá fora organizar a paz na Ucrânia, mas deixa o povo morrendo aqui”, declarou. Caiado, por sua vez, afirmou que governos de esquerda seriam lenientes com o crime. “O divisor é moral. Quem quer seriedade, cumprimento da lei e ordem está aqui, fique conosco. Se quer Lula, Maduro, fique com eles.”
O grupo também criticou a intenção do governo federal de acelerar a tramitação da PEC da Segurança Pública. Caiado classificou a proposta como “fake”, afirmando que o conteúdo já está previsto em lei ordinária e acusando o Planalto de tentar retirar atribuições dos estados.
Castro voltou a defender a operação e afirmou que o Rio pode servir de “laboratório” para retomada de territórios. “Eu desafio qualquer um a portar um fuzil numa cidade como Paris, Londres, Barcelona ou Frankfurt, e que fique com vida por mais de 20, 30 segundos”, afirmou.
Jorginho Mello elogiou o colega fluminense e disse que a operação deve “servir de modelo” para o país. Ele defendeu ações consorciadas, como compra conjunta de equipamentos e integração de inteligência policial. Segundo ele, o objetivo é ampliar o grupo para as 27 unidades da federação.
O encontro evidencia a movimentação de lideranças de direita para ocupar o espaço político deixado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível, com foco na pauta da segurança pública como eixo central para as eleições de 2026.




