O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, afirmou estar “extremamente preocupado” com o elevado número de mortes registradas na operação policial realizada na terça-feira (28) no Rio de Janeiro. Em mensagem transmitida por seu porta-voz, Stephane Dujarric, na quarta-feira (29), Guterres destacou que o uso da força pelas autoridades deve estar em conformidade com as leis internacionais de direitos humanos e pediu a abertura imediata de uma investigação sobre o episódio.
A operação, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, tinha como objetivo cumprir cerca de 100 mandados judiciais contra integrantes de facções criminosas. Segundo dados oficiais, ao menos 121 pessoas foram mortas, incluindo quatro policiais, configurando uma das ações mais letais da história do estado.
Também na quarta-feira, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, reforçou a necessidade de uma “reforma abrangente dos métodos de policiamento no Brasil” para romper o ciclo de violência e discriminação. Segundo ele, “o Brasil precisa romper o ciclo de brutalidade extrema e garantir que as operações de segurança pública estejam em conformidade com os padrões internacionais sobre o uso da força”.
Türk afirmou compreender “os desafios de lidar com grupos criminosos violentos e organizados como o Comando Vermelho”, mas ressaltou que “a longa lista de operações que resultam em muitas mortes, que afetam desproporcionalmente pessoas negras, levanta questões sobre a forma como essas incursões são conduzidas”. Ele destacou que, “por décadas, a alta letalidade associada ao policiamento no Brasil tem sido normalizada, especialmente em áreas como o Rio de Janeiro”.
O alto comissário pediu investigações rápidas, independentes e eficazes, além de defender mudanças estruturais no sistema de segurança pública. “Reformas são urgentemente necessárias para evitar repetições. Violações não podem ficar impunes. Processos adequados de responsabilização devem levar à verdade e à justiça para evitar mais impunidade e violência.”
Türk ainda sublinhou que “abordar o racismo sistêmico contra pessoas negras no Brasil é fundamental” e afirmou ser “hora de acabar com um sistema que perpetua o racismo, a discriminação e a injustiça”. Segundo o Mecanismo Internacional Independente de Especialistas para Promover a Justiça Racial e a Igualdade na Aplicação da Lei, cerca de 5 mil pessoas negras são mortas por agentes de segurança no Brasil todos os anos, sobretudo jovens que vivem em áreas empobrecidas.




