Cientistas chineses emitiram um alerta sobre uma nova variante viral que se espalha rapidamente entre bovinos e apresenta sinais preocupantes de adaptação a humanos. A Influenza D, até então restrita a animais de criação, sofreu mutações que indicam potencial para se tornar um novo patógeno humano, reacendendo temores de uma possível pandemia global. A pandemia de Covid-19, em 2020, também surgiu na China.
Segundo o jornal britânico The Sun, na sexta-feira (17), pesquisadores do Instituto de Pesquisa Veterinária de Changchun, no nordeste da China, identificaram a cepa D/HY11, surgida em 2023, como a mais preocupante. Em laboratório, o vírus demonstrou capacidade de se replicar em células das vias respiratórias humanas e de se transmitir pelo ar entre animais — característica típica de vírus com potencial pandêmico.
Nos experimentos, furões foram utilizados como modelo padrão para estudar a propagação de gripes em humanos. Os resultados mostraram que o vírus se espalhou por via aérea para animais saudáveis, sem contato direto, o que os cientistas consideraram um marco na avaliação do risco de disseminação entre pessoas.
A equipe também analisou amostras de sangue coletadas entre 2020 e 2024 e descobriu que 74% da população do nordeste da China já havia sido exposta ao vírus. Entre aqueles com sintomas respiratórios recentes, a taxa chegou a 97%, sugerindo que o patógeno circula silenciosamente há anos, possivelmente com infecções leves ou assintomáticas não detectadas.
Os testes indicaram que o D/HY11 é altamente eficiente em infectar células humanas, suínas, bovinas e caninas, multiplicando-se rapidamente em tecidos das fossas nasais, da traqueia e dos pulmões. Essa ampla capacidade de adaptação aumenta o risco de o vírus ultrapassar barreiras biológicas e se estabelecer entre humanos.
A análise genética revelou alta atividade no complexo de polimerase — o “motor” da replicação viral —, fator associado a maior eficiência de contágio entre mamíferos. Além disso, o D/HY11 mostrou resistência a antivirais tradicionais, como o Tamiflu, embora responda a medicamentos mais recentes, como o baloxavir.
Os pesquisadores alertam que nenhum país realiza atualmente testagem rotineira para a Influenza D, o que facilita sua propagação “silenciosa”. A ausência de monitoramento sistemático pode permitir a disseminação do vírus sem detecção, sobretudo em áreas rurais e entre trabalhadores do setor pecuário.
Publicado na revista Emerging Microbes & Infections, o estudo aponta que o surto de Influenza D já representa um problema conjunto entre humanos e gado, com risco de expansão global caso o vírus adquira mutações que permitam transmissão sustentada entre pessoas.
Especialistas destacam que a detecção precoce do D/HY11 é um alerta de que o mundo permanece vulnerável a novos surtos. A vigilância contínua, a cooperação científica internacional e o desenvolvimento de vacinas específicas são considerados essenciais diante de um vírus que já rompeu a barreira entre espécies e ameaça evoluir para transmissão humana sustentada.




