MST cogita enviar brigadas para apoiar a Venezuela contra os EUA

O auxílio não incluiria combate, apenas ações como “plantar feijão” e “cozinhar”.


O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, anunciou sua intenção de prestar apoio à Venezuela. Segundo o ativista, os movimentos sociais da América Latina devem se organizar e enviar brigadas ao país em apoio ao governo do ditador Nicolás Maduro, atualmente ameaçado de sofrer uma operação militar pelos Estados Unidos. O auxílio, no entanto, não envolveria combate armado, mas atividades como “plantar feijão” e “cozinhar”.

Em entrevista ao programa Conexão BDF, do portal de orientação de esquerda Brasil de Fato, Stédile afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveria adotar uma postura mais firme contra o presidente norte-americano Donald Trump, a quem classificou como “um misto de maluco com fascista”. Sem citar dados, o dirigente acrescentou que os EUA enfrentariam uma suposta “derrota histórica, como no Afeganistão e no Vietnã”, caso decidam invadir a Venezuela por terra.

Ao detalhar o tipo de apoio que o MST poderia oferecer, Stédile destacou a falta de preparo militar dos militantes. “Eu cheguei a colocar em votação na Assembleia do Congresso que nós, movimentos da América Latina, vamos fazer reuniões — e já estamos fazendo consultas — para, no menor prazo possível, organizar brigadas internacionalistas de militantes de cada um dos nossos países para ir à Venezuela e nos colocarmos à disposição do governo e do povo venezuelano”, afirmou. Segundo ele, os militantes podem “fazer mil e uma coisas, desde plantar feijão e fazer comida para os soldados até estar ao lado do povo se houver uma invasão militar dos Estados Unidos”.

Na sexta-feira (17), Trump declarou que o líder venezuelano “não quer arrumar confusão” com os norte-americanos, em resposta a informações de que Maduro teria oferecido “tudo”, inclusive recursos naturais, em troca de um acordo com Washington. Trump afirmou: “Ele ofereceu tudo, é verdade. Sabe por quê? Porque ele não quer arrumar confusão com os Estados Unidos”.

O jornal The New York Times divulgou que o governo norte-americano teria autorizado a CIA, a agência de inteligência dos EUA, a derrubar o regime de Maduro. O ditador venezuelano nega envolvimento com o tráfico de drogas e classifica os ataques a barcos no mar do Caribe como um “pretexto para mudança de regime” e uma violação da soberania do país.