Milhares vão às ruas nos EUA em protestos “No Kings”

O Dia Sem Reis seguiu a manifestação de junho, com milhares em 2.000 comícios nos EUA.


Grandes multidões se reuniram em cidades de todo os Estados Unidos neste sábado (18) para protestar contra o presidente norte-americano Donald Trump, considerado por parcelas da sociedade americana como alguém que estaria agindo de maneira “autoritária”, durante uma série de eventos do Dia Sem Reis nos EUA.

Em Nova York, a maior e principal cidade dos EUA, ao meio-dia, horário local (13h em Brasília), a Times Square foi tomada por manifestantes em clima de carnaval, com cartazes coloridos, incluindo um que dizia “Não juro fidelidade a nenhum rei”. Os participantes usavam fantasias, entre elas o traje inflável de um sapo popularizado por ativistas em Portland, no estado do Oregon, em resposta às tentativas da Casa Branca de rotular os manifestantes como anarquistas ou terroristas domésticos. “Chega de Trump!”, gritava a multidão, enquanto agitava bandeiras americanas.

“Precisamos defender nossos direitos, especialmente se tivermos a sorte de ser cidadãos”, disse Bianca Diaz ao jornal The New York Times, cuja filha de 6 anos, Luna, estava vestida de axolote. “Eu queria que ela testemunhasse isso”, acrescentou.

Conhecidos como Dia Sem Reis, os eventos deram continuidade a uma manifestação anterior realizada em junho, que reuniu milhares de pessoas em cerca de 2.000 comícios nos 50 estados dos EUA. Nesta edição, cerca de 600 novos protestos estavam programados, principalmente em áreas rurais. Os comícios ocorreram mesmo com índices de aprovação de Trump praticamente estáveis.

Bianca Diaz, de 39 anos, disse à imprensa americana ter conhecido o evento pelas redes sociais e decidiu participar imediatamente. Perita em sinistros contratada pelo governo federal dos EUA, ela não recebe salário desde a paralisação do governo americano, em 1° de outubro, mas apoia medidas de políticos democratas para reduzir custos da saúde no país. Segundo ela, um protesto em massa pode incentivar líderes a perseguir esses objetivos.

Em Atlanta, no estado americano da Geórgia, milhares de pessoas se reuniram em um estacionamento central, em clima pacífico, embora expressando frustração com as políticas do governo Trump. Catherine Browning, cidadã britânica, usava um macacão verde brilhante em forma de sapo e afirmou: “Eu realmente senti que precisava estar aqui hoje porque muitas coisas horríveis estão acontecendo com muitas pessoas”, citando ações de agentes federais de imigração, conhecidos como ICE, que, segundo ela, “desumanizam as pessoas”.

O professor Jeremy Pressman, da Harvard Kennedy School, afirmou que a intensidade dos protestos influencia a intensidade da contra-ação. Segundo ele, os eventos atuais ocorrem em uma gama maior de condados americanos, inclusive em áreas majoritariamente republicanas.

Organizadores como Indivisible e MoveOn destacam que os protestos anteriores ajudaram a difundir a mensagem e receberam apoio público de celebridades como o conhecido ator norte-americano Robert De Niro, que recentemente estrelou a série “Zero Day”, da Netflix, e declarou: “Estamos nos levantando novamente desta vez, levantando nossas vozes de forma não violenta para declarar: Nada de reis”. A referência é ao Rei George III, simbolizando o que consideram um governo autoritário sob Trump.

Apesar de seu princípio de não violência, um protesto em Salt Lake City, Utah, em junho, terminou em tragédia, quando um manifestante foi morto a tiros. O incidente motivou a participação de muitos neste sábado na cidade.

Líderes republicanos criticaram as manifestações, acusando-as de prolongar a paralisação do governo federal e qualificando-as de “manifestação de ódio à América”, alegando, sem provas, que os participantes seriam pagos.

Participantes em estados republicanos destacaram a importância de fazer sua voz ser ouvida. Michael Flanagan, de 46 anos, disse: “Para mim, uma pessoa normal e pequena como eu, sair e ver tudo isso é realmente ótimo”, pois, segundo ele, garante o pleno funcionamento da democracia nos Estados Unidos.