Lula bate o martelo e deve indicar Messias para vaga no STF

O anúncio deve ocorrer ainda nesta semana, com a aposentadoria de Barroso.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou a aliados, nesta quarta-feira (15), que pretende indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A expectativa é de que o anúncio ocorra ainda nesta semana, diante da aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, cujo pedido foi apresentado nesta quarta-feira, assinado pelo presidente e publicado no Diário Oficial. Lula afirmou a interlocutores que Messias está maduro para a função.

Messias conquistou o reconhecimento do presidente ao longo do governo. Desde a montagem da equipe, aproximou-se de Lula, atuando como coordenador jurídico da transição e participando da redação de decretos de reestruturação da Esplanada, incluindo a definição do orçamento de 2023. Desde então, aliados do presidente destacam sua lealdade e combatividade.

DOIS NOMES EM DESTAQUE

A vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Barroso tem dois favoritos nos bastidores de Brasília: Jorge Messias e o senador e ex-presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ambos têm perfis distintos e são apoiados por diferentes correntes políticas. A escolha cabe a Lula, e a aprovação é de competência do Senado.

O desafio do presidente é selecionar um nome em quem confie dentro do STF, considerando a relevância crescente da Corte na vida nacional, sem desagradar ao Congresso e ao meio jurídico. Interlocutores de Lula afirmam que um nome fraco pode comprometer a relação do Palácio do Planalto com os demais poderes ou até ser rejeitado pelo Senado. A Constituição exige que o indicado possua “notável saber jurídico” e reputação ilibada, além de ter entre 35 e 70 anos.

QUEM É MESSIAS?

Jorge Messias, de 45 anos, é próximo de Lula e do PT. Sua carreira está ligada ao partido e, dentro do governo, é considerado hábil conhecedor do mundo jurídico. Advogado-geral da União desde 2023, tem atuação sólida na defesa dos interesses do governo junto à Justiça.

Messias também se beneficia do fato de ser evangélico, o que pode fortalecer o governo junto a esse segmento da população, historicamente mais conservador. No entanto, ele não possui grande simpatia no Congresso, especialmente no Senado, nem entre ministros do STF, que preferem nomes mais influentes na política.

Em 2015, quando ocupava o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência, uma conversa da então presidente Dilma Rousseff (PT) foi divulgada pelo então juiz Sérgio Moro, e a qualidade do áudio fez parecer que Messias era chamado de “Bessias”.