Sindicato ligado a irmão de Lula é alvo de operação da PF

A ação investiga fraudes em descontos ilegais de benefícios do INSS.


O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), cuja vice-presidência é ocupada por Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é um dos alvos da nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (9).

A ação tem como foco o aprofundamento das investigações sobre o esquema conhecido como “Farra do INSS”, que envolve suspeitas de fraudes em descontos indevidos de benefícios previdenciários. O Sindnapi foi alvo de mandados de busca e apreensão em sua sede, localizada em São Paulo.

No total, a PF cumpre 66 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados de São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e no Distrito Federal.

De acordo com a Polícia Federal, a nova etapa da operação busca esclarecer crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa e ocultação ou dilapidação de patrimônio. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão vinculado ao Banco Central, aponta que o Sindnapi teria utilizado “artifícios para burla da identificação da origem, do destino, dos responsáveis ou dos destinatários finais” dos valores movimentados no esquema.

Reportagens publicadas inicialmente pelo portal Metrópoles, desde 2023, revelaram o funcionamento da chamada “Farra do INSS”. Segundo as apurações, dirigentes do sindicato recebiam comissões sempre que um aposentado tinha parte de seu benefício descontado pela entidade. As investigações indicam que essas comissões somaram, ao menos, R$ 4,1 milhões.

Entre os beneficiados estariam a esposa do presidente do sindicato, Milton “Cavalo” Baptista de Souza, e o marido da coordenadora jurídica da entidade, a advogada Tonia Andrea Inocentini Galleti. Milton Baptista tem depoimento marcado para esta quinta-feira na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Por meio de nota, o Sindnapi afirmou ter sido surpreendido pela operação da PF e repudiou as suspeitas de irregularidades.

“O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (SINDNAPI), por meio de seus advogados, manifesta sua surpresa com o cumprimento de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje em sua sede em São Paulo, bem como na casa de seu Presidente e alguns Diretores, em operação deflagrada pela Polícia Federal em nova fase da ‘Operação Sem Desconto’”, diz o comunicado.

A entidade informou ainda que seus advogados não tiveram acesso ao inquérito policial nem aos fundamentos da decisão judicial que autorizou a medida.

“O SINDNAPI reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados”, acrescenta a nota.

O sindicato conclui afirmando que comprovará a legalidade de sua atuação: “A exemplo do procedimento adotado nas demais demandas judiciais, o SINDNAPI comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos.”