O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou nesta segunda-feira (6) que conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e classificou a ligação como “muito boa”. O republicano afirmou ter apreciado o diálogo e destacou que ambos planejam um encontro presencial “em um futuro não muito distante”, que deve ocorrer “tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”.
“Nesta manhã, eu fiz uma chamada telefônica muito boa com o presidente Lula, do Brasil. Nós discutimos muitas coisas, mas a conversa focou principalmente na economia e no comércio entre os dois países”, declarou o norte-americano. “Nós teremos novas discussões e nos reuniremos em um futuro não muito distante, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Eu gostei da ligação telefônica — nossos países irão muito bem juntos!”.
A conversa entre os presidentes ocorreu após Trump anunciar, de forma surpreendente, durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que havia combinado com Lula uma conversa por telefone, após um breve encontro nos bastidores do evento.
Segundo o Palácio do Planalto, a reunião aconteceu por videoconferência, teve duração de cerca de 30 minutos e foi iniciada por Trump — informação que o norte-americano não confirmou em sua publicação. Ainda de acordo com o governo brasileiro, Lula solicitou que o republicano revisse o tarifaço e as sanções impostas a autoridades brasileiras em retaliação ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
Trump não mencionou o pedido, mas afirmou que os dois discutiram “muitas coisas”. Sobre o possível encontro entre ambos, nem o governo do Brasil nem o dos Estados Unidos divulgaram datas. O Planalto informou que Lula “levantou a possibilidade de encontro na Cúpula da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), na Malásia; reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém (PA); e também se dispôs a viajar aos Estados Unidos”.
Até a última atualização, a Casa Branca não havia informado se negocia com Brasília a realização do encontro. A porta-voz do governo Trump, Karoline Leavitt, declarou que o presidente americano receberá, nesta semana, apenas os líderes do Canadá e da Finlândia, sem mencionar Lula.
Após a conversa, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou o diálogo como “positivo”, enquanto o Planalto afirmou que ocorreu em “tom amistoso”. O vice-presidente Geraldo Alckmin também se disse “otimista” quanto à revisão do tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros.
Alckmin e o chanceler Mauro Vieira acompanharam Lula durante a ligação. A crise diplomática entre os dois países teve início em julho, quando Trump anunciou a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, em resposta ao que chamou de “tratamento injusto” dado a Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
O encontro entre os líderes foi marcado pessoalmente durante a Assembleia Geral da ONU, ocasião em que Trump afirmou ter “gostado de Lula” e ressaltou que os dois tiveram “uma química excelente”.




