Conservadora vence eleição no Japão e pode ser a 1ª primeira-ministra japonesa

O PLD do Japão elegeu a conservadora Sanae Takaichi, de 64 anos, como nova líder.


O Partido Liberal Democrata (PLD), que governou o Japão durante a maior parte do período pós-Segunda Guerra Mundial, elegeu neste sábado (4) a nacionalista conservadora Sanae Takaichi, de 64 anos, como sua nova líder. A escolha coloca Takaichi no caminho para se tornar a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do país, em um movimento que pode impactar tanto os mercados financeiros quanto as relações diplomáticas na região.

A eleição ocorreu em um momento de desgaste político do PLD, que busca reconquistar a confiança de um eleitorado insatisfeito com o aumento do custo de vida e atraído por grupos de oposição que prometem estímulos econômicos e políticas mais restritivas de imigração.

Takaichi venceu o ministro da Agricultura, Shinjiro Koizumi, de 44 anos, filho do popular ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi, em um segundo turno da votação intrapartidária. A escolha foi marcada por uma disputa entre as alas mais conservadoras e moderadas do partido.

Ex-ministra dos Assuntos Internos e da Segurança Econômica, Takaichi herda um partido em crise após a renúncia do atual premiê, Shigeru Ishiba. Sob sua liderança, o PLD e seus aliados perderam a maioria nas duas casas do Parlamento japonês, o que abriu espaço para o avanço de siglas como o expansionista Partido Democrático do Povo e o Sanseito, de viés anti-imigração, especialmente entre os eleitores jovens.

“Ultimamente tenho ouvido vozes duras de todo o país dizendo que não sabem mais o que o PLD representa”, declarou Takaichi em discurso antes da votação final. “Essa sensação de urgência me impulsionou. Quis transformar a ansiedade das pessoas sobre o presente e o futuro em esperança.”

Inspirada por Margaret Thatcher, ex-primeira-ministra britânica, Takaichi defende uma agenda fiscal expansionista e uma revisão constitucional que permita ampliar as capacidades de defesa do país. Admiradora do falecido ex-premiê Shinzo Abe e de sua estratégia “Abenomics” — que combina grandes gastos públicos com política monetária flexível —, ela já criticou o recente aumento das taxas de juros pelo Banco do Japão.

Analistas apontam que sua eleição reduz as chances de novas altas de juros no curto prazo. Segundo Naoya Hasegawa, estrategista-chefe da Okasan Securities, a probabilidade de uma elevação neste mês caiu de 60% para níveis mínimos.

Em política externa, Takaichi sinalizou intenção de revisar um acordo de investimento firmado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reduziu tarifas americanas em troca de investimentos financiados por contribuintes japoneses. O embaixador americano no Japão, George Glass, parabenizou Takaichi e afirmou esperar o fortalecimento da parceria bilateral “em todas as frentes” com os EUA.

Entretanto, suas posições nacionalistas podem gerar atritos com vizinhos como China e Coreia do Sul. Takaichi é conhecida por visitar com frequência o santuário Yasukuni, onde estão enterrados combatentes japoneses mortos em guerra, visto por países asiáticos como símbolo do militarismo do passado.

A líder também defende uma “quase-aliança de segurança” com Taiwan, ilha reivindicada pela China. O presidente taiwanês, Lai Ching-te, saudou sua eleição, chamando-a de “amiga firme de Taiwan” e expressando o desejo de aprofundar a cooperação em comércio, segurança e tecnologia.

Caso seja confirmada como primeira-ministra após a votação parlamentar marcada para 15 de outubro, Takaichi prometeu intensificar a presença diplomática do Japão no exterior. “Abri mão do meu próprio equilíbrio entre vida pessoal e trabalho, e agora vou trabalhar, trabalhar, trabalhar”, afirmou em seu discurso da vitória.