O presidente da Rússia, Vladimir Putin, enviou recados ao presidente norte-americano Donald Trump nesta quinta-feira (2) e advertiu para uma “escalada perigosa” caso os Estados Unidos forneçam mísseis de longo alcance à Ucrânia. Durante discurso em um fórum realizado em Sochi, na Rússia, Putin também ironizou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e debochou das acusações sobre o suposto envio de drones russos a países da Europa, principalmente à Dinamarca.
O líder russo afirmou que a Rússia está enfrentando quase toda a OTAN, reforçando a posição de autoridades de Moscou que já descrevem a guerra como um confronto direto contra o Ocidente. No mesmo discurso, Putin respondeu a uma declaração recente de Trump. Na semana anterior, o presidente dos Estados Unidos chamou a Rússia de “tigre de papel” e disse que uma verdadeira potência militar já teria vencido a guerra contra a Ucrânia.
“Tigre de papel” é uma expressão utilizada para designar algo que parece ameaçador, mas que, na prática, se mostra frágil. O termo foi popularizado pelo líder chinês Mao Tse-tung para se referir a forças opositoras.
“Um tigre de papel. E então? Que lidem com esse tigre de papel”, declarou Putin. “Se estamos lutando contra toda a OTAN, estamos avançando e nos chamam de tigre de papel, então o que é a OTAN?”
Em tom de sarcasmo, Putin também comentou as acusações de que drones russos teriam violado o espaço aéreo da OTAN. “Não vou mais mandar drones para a Dinamarca, prometo”, afirmou. Autoridades europeias acusam a Rússia de incursões sobre a Polônia e a Estônia, além de incidentes na Dinamarca que chegaram a provocar o fechamento de aeroportos, tanto civis quanto militares.
Ao tratar da possibilidade de envio de mísseis Tomahawk, dos EUA, para Kiev, Putin adotou uma posição mais grave. “É impossível usar Tomahawks sem participação direta de militares americanos. Isso significaria um estágio completamente novo, inclusive nas relações entre Rússia e Estados Unidos”, afirmou.
Na quarta-feira (1º), o jornal The Wall Street Journal noticiou que os Estados Unidos pretendem fornecer informações de inteligência para apoiar ataques de mísseis da Ucrânia contra a Rússia, pedindo ainda que países da OTAN façam o mesmo. A publicação informou que Washington avalia a possibilidade de enviar mísseis Tomahawk, com alcance de até 2.500 quilômetros, o que representaria ameaça a grande parte do território russo. Segundo a agência Reuters, contudo, autoridades americanas consideram essa hipótese “improvável”.
Putin acusou líderes europeus de fomentarem uma “histeria” sobre uma guerra iminente contra Moscou. “Eles repetem esse absurdo, esse mantra, repetidamente. Ou são incompetentes se realmente acreditam nisso, porque é impossível acreditar nesse absurdo, ou são simplesmente desonestos”, disse o russo.
Governos europeus afirmam que a guerra na Ucrânia é uma tentativa de anexação e prometem derrotar as forças russas. Argumentam ainda que, se não for contida agora, a Rússia poderá atacar países da OTAN nos próximos anos. Em resposta, Putin declarou: “Quero apenas dizer: acalmem-se, durmam tranquilos e cuidem dos seus próprios problemas. Basta ver o que acontece nas ruas das cidades europeias”.
O presidente russo também afirmou, mas sem apresentar provas, que a Ucrânia enfrenta, supostamente, falta de soldados e deserções, enquanto a Rússia possui contingente suficiente. Ele concluiu defendendo que Kiev busque negociações para encerrar o conflito iniciado pela própria Rússia.




