O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (25) uma nova rodada de tarifas de importação. As medidas incluem a imposição de taxas de 100% sobre medicamentos de marca importados, 25% sobre todos os caminhões pesados, além de 50% sobre armários de cozinha e móveis de banheiro. As tarifas entram em vigor no dia 1º de outubro.
Trump acrescentou que, já nesta semana, passará a cobrar uma tarifa de 30% sobre móveis estofados. Segundo ele, a taxação sobre caminhões pesados busca proteger a indústria nacional contra a “concorrência externa injusta” e beneficiará fabricantes como Peterbilt e Kenworth, controladas pela Paccar, e a Freightliner, pertencente à Daimler Truck.
O governo norte-americano iniciou investigações de segurança nacional sobre possíveis tarifas em diversos setores. De acordo com Trump, as taxas aplicadas a produtos de cozinha, banheiro e móveis se justificam pelos elevados níveis de importações que estariam prejudicando os produtores locais. “O motivo disso é a grande ‘INUNDAÇÃO’ desses produtos nos Estados Unidos por outros países externos”, declarou Trump, citando preocupações ligadas à segurança nacional da manufatura.
A Câmara de Comércio dos EUA se posicionou contra as medidas, ressaltando que os cinco principais exportadores desses produtos para o mercado americano são México, Canadá, Japão, Alemanha e Finlândia, todos aliados ou parceiros próximos que não representariam ameaça à segurança nacional.
O México, maior exportador de caminhões médios e pesados para os EUA, contestou as tarifas. Um estudo divulgado em janeiro mostrou que as importações desses veículos vindos do país triplicaram desde 2019. Segundo o governo mexicano, os caminhões exportados possuem, em média, 50% de conteúdo americano, incluindo motores a diesel. Em 2024, os Estados Unidos importaram quase US$ 128 bilhões em peças de veículos pesados do México, o que correspondeu a cerca de 28% do total.
Analistas destacam que tarifas mais altas sobre veículos comerciais podem pressionar os custos de transporte em um momento em que Trump prometeu reduzir a inflação, sobretudo em bens de consumo como alimentos. As medidas também devem impactar a Stellantis, controladora da Chrysler, que produz caminhões Ram e vans comerciais no México. Já a sueca Volvo está construindo em Monterrey uma fábrica de caminhões pesados avaliada em US$ 700 milhões, com início previsto para 2026. O país conta atualmente com 14 fabricantes e montadoras de ônibus, caminhões e caminhões-tratores, além de dois fabricantes de motores, sendo o principal exportador global de caminhões-tratores, dos quais 95% têm como destino os EUA.
Trump defendeu as medidas afirmando: “Precisamos que nossos caminhoneiros sejam financeiramente saudáveis e fortes, por muitas razões, mas acima de tudo, para fins de Segurança Nacional!”.
A Associação Japonesa de Fabricantes de Automóveis também expressou oposição, alegando que suas empresas já reduziram as exportações de caminhões médios e pesados para os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que ampliaram a produção local.




