Departamento de Justiça dos EUA solicita investigação contra grupo de George Soros

Trump tem criticado Soros, alvo da direita, por financiar causas progressistas.


Um funcionário de alto escalão do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) instruiu promotorias federais a elaborarem planos para investigar um grupo financiado pelo bilionário George Soros, alvo de cobranças do presidente norte-americano Donald Trump.

A diretriz, obtida pelo jornal The New York Times, lista possíveis acusações, como incêndio criminoso e apoio material ao terrorismo. O memorando indica que membros do alto escalão do departamento estariam seguindo ordens do presidente americano para que pessoas ou grupos específicos fossem alvo de investigação — uma quebra histórica da prática de manter o DOJ independente de interferências políticas.

A medida ocorre em meio à ofensiva recente do Departamento de Justiça contra adversários de Trump. No fim de semana, o presidente norte-americano instou a secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, a agir rapidamente em busca de acusações criminais contra o ex-diretor do FBI James B. Comey e a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que processou Trump e suas empresas. Promotores no distrito leste da Virgínia apresentaram acusação formal contra Comey e investigam separadamente Letitia James.

Trump também tem criticado Soros, tradicional alvo da direita e da ultradireita, em parte por financiar causas progressistas. Após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk no estado de Utah, o presidente norte-americano ameaçou usar instrumentos do governo para silenciar manifestantes de esquerda e doadores de grupos progressistas, incluindo Soros.

Soros criou a rede global Open Society Foundations para financiar iniciativas democráticas e de direitos humanos no mundo todo. Nos EUA, a fundação apoia grupos voltados à democracia e à equidade. Trump e alguns republicanos alegam, sem provas, que a rede promove agitação civil e violência, enquanto progressistas afirmam que tais acusações buscam sufocar a dissidência.

Na última segunda-feira (22), Todd Blanche, advogado do gabinete do secretário adjunto, emitiu a diretriz para promotorias federais em diversos locais, como Califórnia, Detroit, Maryland, Chicago, Nova York, Washington D.C. e outros. O advogado Aakash Singh sugeriu acusações como extorsão, incêndio criminoso, fraude eletrônica e apoio material ao terrorismo, usando relatório do Capital Research Center como referência. O documento alegou que a fundação “destinou mais de US$ 80 milhões (R$ 429 milhões) em organizações ligadas ao terrorismo ou à violência extremista”, citando a al-Haq, organização palestina de direitos humanos. A fundação contestou a decisão do governo israelense, alegando falta de evidências confiáveis.

Pam Bondi afirmou: “Tudo está na mesa neste momento”, e Trump disse que Soros seria “um provável candidato” a investigação. Chad Gilmartin, porta-voz do DOJ, declarou que o departamento investigará organizações que conspiram para cometer atos de violência ou outras violações da lei federal.

A Open Society Foundations repudiou as acusações como “ataques politicamente motivados à sociedade civil” e disse que suas atividades nos EUA são “pacíficas e legais”. Após a morte de Kirk, Trump criticou a “esquerda radical” e classificou Soros como “um cara mau que deveria estar na cadeia”, em entrevista à emissora NBC News.