A economia dos Estados Unidos registrou crescimento mais acelerado do que o inicialmente estimado no segundo trimestre, impulsionada pelos gastos do consumidor, pelos investimentos empresariais e por uma forte contração do déficit comercial. Contudo, o ímpeto parece ter perdido força diante da incerteza persistente relacionada à política comercial de Donald Trump.
Segundo o Departamento de Comércio dos EUA, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou a uma taxa anualizada de 3,8% entre abril e junho, superando a estimativa anterior de 3,3% e representando o ritmo mais rápido desde o terceiro trimestre de 2023. Economistas consultados pela agência Reuters previam que não haveria revisão nos dados.
O desempenho também refletiu a queda no fluxo de importações, que reduziu o déficit comercial. Esse fator adicionou um recorde de 4,83 pontos percentuais ao crescimento do PIB. A antecipação das importações por empresas que buscaram se proteger das tarifas elevadas, que atingiram o maior nível em um século, havia prejudicado o resultado do primeiro trimestre, quando a economia encolheu 0,6%, levemente pior que a contração de 0,5% divulgada anteriormente.
Apesar da recuperação no segundo trimestre, analistas destacam que as oscilações bruscas no comércio dificultam a leitura da real saúde econômica dos EUA. A previsão é de crescimento moderado no segundo semestre, limitado a cerca de 1,5% em 2025, após expansão de 2,8% em 2024.
Os gastos do consumidor americano, responsáveis por mais de dois terços da atividade econômica do país, foram revisados para alta de 2,5%, acima da estimativa anterior de 1,6%. No trimestre inicial do ano, o avanço foi de 0,6%. O investimento empresarial também apresentou revisões positivas: os gastos com propriedade intelectual cresceram 15,0%, ante 12,8% divulgados anteriormente, e o investimento em equipamentos avançou 8,5%, frente aos 7,4% da leitura inicial.
As vendas finais para compradores domésticos privados, consideradas um indicador do crescimento subjacente por excluírem comércio, estoques e governo, aumentaram 2,9%, em vez de 1,9%.
Apesar dos dados mais fortes, o Federal Reserve, o banco central dos EUA, enfrenta um cenário complexo. As estatísticas sugerem que novos cortes de juros não seriam justificados, mas a fraca geração de empregos, atribuída por economistas às tarifas de importação e à política de imigração do governo Trump, levou o banco central a reduzir taxas na semana passada.
Christopher Rupkey, economista-chefe da FWDBONDS, afirmou: “Está claro que o nível atual das taxas de juros do Fed não está desacelerando a economia e também não está prejudicando o mercado de trabalho. Se o crescimento do emprego está desacelerando, o problema não é a economia, mas sim as políticas de imigração do Trump 2.0. A economia está firme como uma rocha.”
O mercado financeiro reagiu de forma cautelosa nesta quinta-feira (25). As ações norte-americanas recuaram, enquanto o dólar se valorizou frente a uma cesta de moedas e os rendimentos dos títulos do Tesouro avançaram.
Em relatório paralelo, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego recuaram em 14.000, totalizando 218.000 na semana encerrada em 20 de setembro, abaixo da previsão de 235.000.




