Em 2015, meus pais tomaram a decisão de mudar de Bauru, interior de São Paulo, para a Flórida, em busca do sonho americano. Menos de dez anos depois, envolvido com movimentos universitários, participei de eventos que jamais conseguiria explicar aos meus amigos e familiares. Nesta semana, esses caminhos me levaram a Glendale, Arizona, para celebrar a vida e o legado de Charlie Kirk.
Eu brinco que aprendi inglês no high school conversando com meus companheiros de basquete, escutando Drake e assistindo Charlie Kirk. É uma combinação que, para alguns, pode soar confusa; porém, creio que diz muito sobre a geração Z. Nossa geração é a geração que cresceu em ambientes polarizados, na solidão de redes sociais em uma pandemia, e muitas vezes desacreditada de um futuro próspero. E ninguém entendia isso melhor do que Charlie.
Aos 18 anos, ele fundou o Turning Point. Um movimento que começou com uma simples tenda em campus universitário propondo o debate e a participação de jovens nas discussões de temas que envolvem nossa própria existência e nossa vida em sociedade. O movimento cresceu, reunindo multidões e influenciando líderes políticos ao redor do mundo, inclusive no Brasil, com muitos jovens acompanhando e admirando a proposta.
Charlie evoluiu como um líder que sabia dialogar com todos, de Donald Trump a Gavin Newsom. Independente de sua proposta conservadora, a grandeza de sua missão esteve na busca de meios democráticos para incluir jovens americanos no cenário de discussões e troca de ideias. Essa iniciativa, em um país em que o voto não é obrigatório e onde o Estado estruturalmente provê oportunidades, é algo de muita relevância.
Após sua morte, até Van Jones, conhecido democrata que trabalhou no governo Obama, lamentou o assassinato, lembrando que havia sido recentemente convidado por Charlie para um debate amigável em seu programa.
Eu tive a honra de conhecê-lo. Viajei pelos Estados Unidos em eventos do Turning Point e até recebi convites para posse presidencial americana. No dia 19 de janeiro de 2025, estive no gala do Turning Point, onde encontrei líderes políticos, influencers e atletas que sempre admirei.
Para alguém que veio do interior do estado de São Paulo, local distante e com diferenças culturais tão marcantes, é difícil explicar minha gratidão por tantas oportunidades. Mas a minha história é só um exemplo de como Charlie mudou a vida de milhões. Charlie criou programas e conferências para engajar jovens de todas as origens: latinos, mulheres, negros, brancos.
Sempre admirei a proposta e insistência de Charlie em elevar o debate para a geração Z, bombardeada pela onipresente polarização em redes sociais. Ele realmente acreditava que incluir a juventude era a chave para transformar a cultura e impactar o futuro, algo que me parece muito coerente.
Junto com Erika, que já foi Miss Arizona e hoje é CEO do Turning Point, Charlie formou um verdadeiro “power couple”. No evento deste final de semana, Erika emocionou milhares de pessoas ao perdoar o assassino de seu marido. Seu discurso rodou o mundo como um dos mais inspiradores da história recente.
O evento contou com autoridades, amigos, parceiros de vida como Rebecca Dunn e Tyler Bowyer, e artistas que cantaram diante de mais de 80 mil pessoas, no estádio do Arizona Cardinals. Uma celebração profundamente marcante e nunca vista na história recente.
Para quem presenciou o momento, ficou perfeitamente claro o respeito, o reconhecimento e a dimensão do trabalho e do ideal criado por Charlie. E isto, a par de qualquer conotação política, mostrou a magnitude que seu ideal proporcionou à sociedade. Esse sentimento foi comum e constante durante toda a cerimônia.
Seu legado vai muito além de suas ideias, das quais há quem concorde e quem discorde, e, sob minha perspectiva, fez com que a política se tornasse consequência de seu trabalho, e não a causa.
O Turning Point, ou virada de chave, criado por Charlie, serviu e serve de inspiração para que cada jovem acredite que pode ser protagonista de sua própria história, com coragem e determinação.
Marido exemplar, pai amoroso, cristão verdadeiro, líder nato.
Tudo isso diz muito sobre ele. Um momento de celebrar e aprender com um líder que foi brutalmente assassinado, não com uma arma, mas com um microfone em suas mãos.
Portanto, obrigado, Charlie. Você nos mostrou e nos ensinou a relevância do debate e a grandeza do aprendizado vindo da divergência de ideias. Agora é nossa missão levar adiante essas lições de liderança, diálogo e engajamento em nossas comunidades, universidades e vidas. Descanse em paz.
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Artigo de opinião escrito por Cesar Esmeraldi. As opiniões aqui contidas não refletem, necessariamente, a opinião do jornal The São Paulo News.




