Na ONU, Trump nega existência das mudanças climáticas

A posição de Trump contrasta com o consenso científico de que as mudanças climáticas já estão em curso.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou, na terça-feira (23), a ameaça das mudanças climáticas, classificando-as como “o maior golpe já perpetrado no mundo”, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

A posição do republicano contrasta com o consenso científico. A maioria dos climatologistas conclui que as mudanças climáticas estão em curso e são impulsionadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis. Seus efeitos já são sentidos globalmente, com inundações mais intensas e letais, secas mais severas e disseminadas, além de ondas de calor cada vez mais perigosas.

“Todas essas previsões feitas pelas Nações Unidas e por muitos outros, muitas vezes por motivos equivocados, estavam erradas”, afirmou Trump. “Foram feitas por pessoas estúpidas.”

Ele também ironizou a mudança no vocabulário científico. “Disseram que o aquecimento global mataria o mundo, mas aí começou a esfriar. Então agora podem simplesmente chamar de mudança climática, porque assim não têm como errar. É mudança climática, porque se ela aumentar ou diminuir, aconteça o que acontecer, há mudança climática”, disse.

Trump ainda acusou políticas de energia verde de beneficiarem financeiramente países que não seguem regras ambientais rígidas. “O efeito primário dessas políticas brutais de energia verde não foi ajudar o meio ambiente, mas redistribuir a atividade industrial e de manufatura dos países desenvolvidos que seguem as regras insanas que são impostas, aos países poluidores que quebram as regras e estão fazendo fortuna”, declarou.

O presidente norte-americano também rejeitou o conceito de pegada de carbono, chamando-o de “golpe”. Ele criticou líderes como o ex-presidente democrata dos EUA, Barack Obama, por, segundo ele, agirem de forma hipócrita. “A pegada de carbono é uma farsa inventada por pessoas com más intenções, e elas estão trilhando um caminho de destruição total”, afirmou. “Alguns anos atrás, lembro-me de ter ouvido falar da pegada de carbono, e então o presidente Obama entrou no Air Force One, um enorme Boeing 747, e não um novo, mas um antigo, com motores antigos que jogam tudo na atmosfera.”