O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta segunda-feira (22), em discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o reconhecimento oficial do Estado palestino. Segundo ele, a medida tem como objetivo reforçar os esforços pela paz entre israelenses e palestinos.
“Recai sobre nós uma responsabilidade histórica. Devemos fazer todo o possível para preservar a própria possibilidade de uma solução de dois Estados, Israel e Palestina, vivendo lado a lado em paz e segurança”, declarou Macron.
A França, que abriga as maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa, passa a desempenhar papel central em um movimento até então liderado por nações menores e mais críticas a Israel. Macron já havia antecipado, em julho, que faria o anúncio durante a Assembleia, o que gerou forte reação de autoridades israelenses. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou à época que a decisão francesa “recompensa o terror e corre o risco de criar mais um representante do Irã”.
Atualmente, mais de 140 países reconhecem oficialmente o Estado palestino, incluindo o Brasil. Apenas no último domingo (21), Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal anunciaram formalmente o reconhecimento.
A iniciativa tem sido interpretada como resposta política à expansão de assentamentos e à presença militar israelense em Gaza. Nos últimos anos, vários países europeus romperam a hesitação histórica em relação ao tema. Em 2024, Espanha, Irlanda, Noruega e Eslovênia aderiram ao reconhecimento, encerrando uma paralisação de uma década no continente.
A Assembleia Geral da ONU já havia aprovado, em novembro de 2012, a elevação da Palestina à condição de “Estado não membro” do organismo. Atualmente, cerca de 80% dos 193 Estados-membros das Nações Unidas reconhecem a Palestina, número que cresceu desde 2024, em meio à guerra em Gaza e ao avanço de colônias israelenses na Cisjordânia.




