Reino Unido, Austrália, Canadá e Portugal reconhecem o Estado da Palestina

Até agora, 147 dos 193 países da ONU reconhecem a Palestina.


Canadá, Austrália e Portugal anunciaram neste domingo (21) o reconhecimento formal do Estado da Palestina, juntando-se ao Reino Unido em meio à intensificação da guerra em Gaza e à expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que a decisão busca fortalecer as perspectivas de paz. “Reconhecer o Estado da Palestina, liderado pela Autoridade Palestina, empodera aqueles que buscam a coexistência pacífica e o fim do Hamas. Isso não legitima o terrorismo de forma alguma, nem representa qualquer recompensa por ele”, declarou.

Segundo Carney, o governo de Israel vem atuando “metodicamente para evitar que a perspectiva de um Estado palestino fosse estabelecida”. Ele acrescentou que a Autoridade Palestina assumiu “compromissos diretos” com o Canadá sobre reformas institucionais, a realização de eleições gerais no próximo ano — das quais o Hamas “não pode participar” — e a desmilitarização do futuro Estado palestino.

Na Austrália, o primeiro-ministro Anthony Albanese e a ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, divulgaram comunicado conjunto reiterando apoio à solução de dois Estados. “A decisão visa reavivar o ímpeto para uma solução de dois Estados que começa com um cessar-fogo em Gaza e a libertação dos prisioneiros mantidos em Gaza”, afirmou Albanese. A nota enfatizou ainda que o Hamas não deve ter “nenhum papel na Palestina”.

Mais tarde, o ministro das Relações Exteriores de Portugal, Paulo Rangel, confirmou que seu país também reconhece o Estado palestino. “O reconhecimento do Estado da Palestina é a concretização de uma linha fundamental, constante e essencial da política externa portuguesa”, declarou em Nova York, nos EUA.

As iniciativas parecem ter sido coordenadas com o Reino Unido, onde o primeiro-ministro Keir Starmer anunciou o reconhecimento formal do Estado palestino. Segundo ele, a medida “reavivaria a esperança de paz para os palestinos e israelenses e uma solução de dois Estados”.

As declarações ressaltam o crescente isolamento internacional de Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou as iniciativas, classificando-as como um “prêmio” ao Hamas e reiterando que um Estado palestino “não acontecerá”.

Nesta semana, durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, espera-se que mais países, entre eles a França, façam anúncios semelhantes. Até o momento, 147 dos 193 estados-membros da ONU já reconhecem a Palestina. Contudo, o assento oficial no organismo depende do Conselho de Segurança, onde os Estados Unidos mantêm posição contrária e poder de veto.

O avanço do reconhecimento internacional ocorre em paralelo a pressões internas no Ocidente por maior apoio à causa palestina. Alguns países, como Holanda, Espanha e Irlanda, chegaram a anunciar boicote ao Festival Europeu da Canção caso Israel participe da próxima edição.

O próprio Netanyahu admitiu recentemente que Israel enfrenta “uma espécie de isolamento” e deverá ajustar sua economia diante da crescente contestação internacional.