O papa Leão XIV voltou a defender a concepção de família como a união sagrada entre um homem e uma mulher. A declaração foi feita em sua primeira entrevista completa desde o início do pontificado, publicada na quinta-feira (18) em uma biografia da jornalista americana Elise Ann Allen. O pontífice já havia tratado do tema em um discurso em maio.
Ele afirmou que, assim como seu antecessor, o papa Francisco, entende a “família” como “um homem e uma mulher em compromisso solene, abençoados pelo sacramento do matrimônio”. Para Leão XIV, “a família é pai, mãe e filhos”, e o papel familiar na sociedade, que segundo ele foi enfraquecido nas últimas décadas, precisa ser “reconhecido e fortalecido novamente”. O papa atribuiu parte da polarização atual ao fato de muitos crescerem em uma “dinâmica familiar precária”.
Apesar da reafirmação doutrinária, o pontífice destacou que a Igreja deve manter uma postura de acolhimento, inclusive à comunidade LGBTQ+. Ele afastou mudanças sobre casamento e ordenação de mulheres, mas sinalizou a intenção de ampliar a presença feminina em cargos de liderança.
Na entrevista, Leão XIV também abordou temas globais e internos da Igreja. Sobre Gaza, manifestou “grande preocupação” com o sofrimento dos civis, especialmente das crianças, e pediu esforços internacionais para a assistência humanitária. Questionado sobre o uso do termo “genocídio”, afirmou que a Santa Sé não fará declaração oficial no momento, embora reconheça que organizações de direitos humanos já utilizam essa classificação.
Em relação à China, disse que manterá o diálogo iniciado por papas anteriores, respeitando a cultura e as dificuldades dos católicos locais. Sobre os Estados Unidos, seu país natal, afirmou que não pretende se envolver em disputas partidárias, mas defendeu maior diálogo entre Igreja e política nacional.
Ao tratar da crise de abusos sexuais, classificou o problema como uma “ferida profunda”, defendeu o respeito absoluto às vítimas e ressaltou a importância da presunção de inocência. No campo administrativo, destacou avanços nos controles financeiros, mas alertou para desafios como o fundo de pensão e a dependência das receitas dos Museus Vaticanos.
O papa também condenou o uso político da liturgia tradicional, classificou as fake news como “destrutivas” e advertiu para os riscos da inteligência artificial conduzida por interesses econômicos. Concluiu a entrevista afirmando que encara sua missão com serenidade: “Estou aprendendo muito e me sinto desafiado, mas não sobrecarregado”.




