Três caças russos violam o espaço aéreo da Estônia, país membro da OTAN

A OTAN confirmou que caças italianos F-35 interceptaram a incursão.


Três jatos militares russos violaram o espaço aéreo da Estônia, país membro da OTAN, por 12 minutos nesta sexta-feira (19), em um episódio classificado pelo governo estoniano como uma incursão “descarada e sem precedentes”. O incidente ocorre em meio ao aumento das tensões no flanco leste da aliança atlântica.

O caso aconteceu pouco mais de uma semana após a entrada de mais de 20 drones russos no espaço aéreo da Polônia, na noite de 9 para 10 de setembro, episódio que levou caças da OTAN a derrubarem parte dos equipamentos. Autoridades ocidentais afirmaram que Moscou estaria testando a prontidão da aliança. O incidente também se segue ao término dos exercícios militares conjuntos entre Rússia e Belarus, conhecidos como Zapad 2025.

Segundo Tallinn, três caças MiG-31 ingressaram sem autorização no espaço aéreo da Estônia e permaneceram por 12 minutos. “A Rússia já violou o espaço aéreo estoniano quatro vezes neste ano, o que é inaceitável por si só, mas a violação de hoje, durante a qual três caças entraram em nosso espaço aéreo, é descarada e sem precedentes”, declarou o ministro das Relações Exteriores, Margus Tsahkna.

Ele acrescentou que “os crescentes testes de fronteiras e a agressividade da Rússia devem ser respondidos com um rápido fortalecimento da pressão política e econômica”. O Ministério da Defesa russo não respondeu aos pedidos de comentário da Reuters, mas os jatos do país costumam sobrevoar o Mar Báltico entre o território continental e o enclave de Kaliningrado.

A OTAN confirmou que caças italianos F-35 interceptaram a incursão. “Hoje mais cedo, jatos russos violaram o espaço aéreo estoniano. A OTAN respondeu imediatamente e interceptou a aeronave russa. Este é mais um exemplo do comportamento imprudente da Rússia e da capacidade de resposta da OTAN”, declarou um porta-voz da aliança.

A União Europeia também reagiu. “Isso não foi um acidente”, afirmou a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, por meio de um porta-voz.

A Estônia convocou o principal diplomata russo em Tallinn para apresentar um protesto formal. Uma fonte europeia disse à Reuters que o país considera acionar o Artigo 4 do Tratado da OTAN, que prevê consultas entre os membros sempre que a segurança ou a independência política de um deles for considerada ameaçada.

O episódio ocorreu na área da Ilha Vaindloo, a cerca de 100 quilômetros da capital estoniana. As aeronaves não apresentavam plano de voo, estavam com os transponders desligados e não mantiveram contato com o controle aéreo.

Autoridades dos Estados Unidos afirmaram, sob anonimato à Reuters, que é difícil acreditar que o incidente não tenha sido intencional. Já especialistas destacam que, embora possa ter sido mera coincidência, o caso deve ser analisado no contexto das recentes provocações russas contra países da OTAN.