Estado do Canadá quer se separar e tornar-se independente — ou parte dos EUA

Alberta poderá realizar seu primeiro referendo sobre independência em 2026.


A ameaça de separação do importante estado de Alberta, no Canadá, ganha contornos mais sérios. A primeira-ministra estadual, Danielle Smith, anunciou em maio deste ano que a província, rica em petróleo, poderá realizar seu primeiro referendo sobre independência em 2026, enquanto grupos pró-51º estado americano intensificam os apelos para abandonar o país e adotar a bandeira dos Estados Unidos.

“Ficar com o Canadá acabou”, declarou Steve Harvey, de 52 anos, morador de Alberta, ao jornal americano New York Post. “Fomos uma águia presa em uma gaiola por décadas por causa do Canadá. É hora de nos libertarmos.”

O descontentamento tem origem no que é visto como ações do governo canadense para sufocar a indústria petrolífera da província. “Eles bloquearam novos oleodutos, cancelaram vários projetos de petróleo e gás e proibiram os próprios navios-tanque necessários para transportar esses recursos para novos mercados”, afirmou Smith em discurso.

Ainda em maio, cerca de 500 pessoas participaram de um comício separatista em frente à legislatura de Edmonton, pedindo que cidadãos escrevessem à Casa Branca em apoio à adesão de Alberta aos Estados Unidos. “Isso é real. Há um impulso”, afirmou Jordon Kosik, residente em Edmonton e administrador de um grupo no Facebook que defende a causa separatista.

O movimento ganhou força após a eleição do primeiro-ministro liberal Mark Carney. “Deixei claro que os habitantes de Alberta não tolerarão mais a maneira como fomos tratados pelos liberais federais nos últimos 10 anos”, advertiu Smith em março, após reunião com Carney.

Uma pesquisa recente mostra que 36% da população apoia a separação. Embora não defenda a independência, Smith apresentou uma lei que prevê referendo caso uma petição reúna assinaturas de 10% dos eleitores.

Alguns separatistas acreditam que o presidente norte-americano Donald Trump reconheceria Alberta como estado independente em caso de vitória do “sim”. “Donald Trump não é o salvador do mundo”, disse Albert Talsma, soldador da cidade de Bentley. “Mas, neste momento, ele é o maior trunfo da América do Norte.”

Com bonés “Make Alberta Great Again (MAGA)”, camisetas “Alberta Republic” e pôsteres “Albertanos por Alberta!”, o movimento ecoa símbolos e retórica associados ao MAGA. Para seus defensores, o federalismo canadense não representa os interesses de Alberta, penaliza a província com impostos desproporcionais e limita sua principal riqueza: o petróleo.