O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (17) a redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 4% a 4,25% ao ano. A decisão, em linha com as expectativas do mercado, marca o primeiro corte após nove meses de estabilidade. A última redução havia ocorrido em 18 de dezembro, quando os juros passaram de 4,25% a 4,50% ao ano.
A medida ocorre em meio às pressões do presidente norte-americano Donald Trump, que tem criticado abertamente o Fed e buscou demitir a diretora Lisa Cook, decisão posteriormente suspensa pela Justiça dos EUA. A ofensiva gerou forte reação de agentes do mercado, que enxergam risco à independência da instituição.
Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) informou que a criação de empregos desacelerou, enquanto a taxa de desemprego subiu levemente, mas segue baixa. Ressaltou também que a inflação avançou e permanece acima da meta de 2%. “O Comitê estaria preparado para ajustar a condução da política monetária, conforme apropriado, caso surjam riscos que possam prejudicar o alcance de seus objetivos”, declarou o colegiado.
O único voto contrário foi de Stephen Miran, indicado por Trump e aprovado pelo Senado americano dois dias antes da reunião. Miran defendeu um corte maior, de 0,5 ponto percentual, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Já Lisa Cook, alvo da tentativa de demissão, acompanhou a maioria.
Esta foi a sexta decisão de política monetária desde a posse de Trump, em janeiro, e a primeira com redução dos juros. O contexto econômico se agravou pela guerra tarifária conduzida pelo republicano, que elevou o custo de produtos importados e pressionou a inflação. O Fed vinha adiando cortes, mas a recente desaceleração do mercado de trabalho abriu espaço para o ajuste.
Trump, que já chamou o presidente do Fed, Jerome Powell, de “burro” e “teimoso”, busca ampliar sua influência na instituição. Além da nomeação de Miran, o republicano poderá indicar um novo diretor caso a Justiça norte-americana confirme a saída de Lisa Cook. Nesse cenário, teria dois aliados no conselho, que conta com sete membros, fortalecendo sua capacidade de interferência nas decisões monetárias e na escolha de dirigentes dos 12 bancos regionais do Fed.
A manutenção de Cook no cargo foi determinada pela Justiça, após o governo Trump acusá-la de envolvimento em suposta fraude hipotecária. O caso deve ser analisado pela Suprema Corte dos Estados Unidos.
O Fomc concluiu seu comunicado reafirmando o compromisso com o duplo mandato de máximo emprego e estabilidade de preços, mas alertou que “a incerteza sobre as perspectivas econômicas continua elevada” e que os riscos de retração no mercado de trabalho aumentaram.




