O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou nesta segunda-feira (15) que, ao fornecer assistência militar à Ucrânia, os países da OTAN estão “em guerra” com a Rússia. “A OTAN está em guerra com a Rússia; isso é óbvio e não precisa de provas. A OTAN fornece apoio direto e indireto ao regime de Kiev”, afirmou a jornalistas em Moscou, reiterando a narrativa do governo russo de que o apoio ocidental equivale à participação direta no conflito.
As declarações foram feitas poucos dias após a Polônia confirmar ter abatido drones russos em seu espaço aéreo, no primeiro caso conhecido de um membro da aliança militar ocidental derrubando ativos russos em território próprio.
A acusação do Kremlin ecoa narrativas de desinformação que surgiram logo após o incidente, segundo analistas poloneses. O centro de análise de desinformação do NASK, instituição nacional de cibersegurança da Polônia, relatou aumento significativo de atividades coordenadas por fontes russas e bielorrussas, incluindo alegações de que a Polônia estaria em guerra com Moscou. O instituto alerta que tal narrativa pode “causar pânico entre o público”.
De acordo com o NASK, a campanha russa buscou transferir a responsabilidade pela violação do espaço aéreo polonês para a Ucrânia e desacreditar as Forças Armadas e os serviços de segurança poloneses. Entre as narrativas difundidas, algumas negavam a própria incursão, outras culpavam Kiev e outras ainda retratavam o exército polonês como incapaz de proteger o país.
A ONG polonesa Res Futura também relatou uma operação psicológica organizada após a incursão. O levantamento identificou que 38% dos comentários nas redes sociais descreviam o incidente como “provocação ucraniana” ou “bandeira falsa”, enquanto 34% responsabilizavam a Rússia. O relatório concluiu que “o ataque de drones foi usado não apenas como um incidente militar, mas acima de tudo como uma ferramenta de guerra psicológica”, ressaltando que a Polônia foi arrastada para uma nova fase do conflito híbrido.
O episódio da última quarta-feira (10), na Polônia, não foi o único. No sábado (13), a Romênia, também membro da OTAN, enviou caças F-16 após detectar um drone russo em seu espaço aéreo. Segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o artefato permaneceu quase uma hora em território romeno. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou o incidente como uma “escalada imprudente”.
O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radoslaw Sikorski, afirmou ao jornal ucraniano Kyiv Independent que a ideia de estabelecer uma zona de exclusão aérea parcial com defesas da OTAN poderá ser retomada. Em resposta, o ex-presidente russo Dmitry Medvedev alertou que qualquer medida nesse sentido significaria “guerra entre a OTAN e a Rússia”.
Autoridades polonesas relataram que 21 drones russos violaram o espaço aéreo do país no ataque de quarta-feira, quatro deles abatidos. Varsóvia acionou o Artigo 4 da OTAN, que prevê consultas entre os aliados em caso de ameaça à segurança. Após o incidente, a aliança ativou a missão Eastern Sentry, com o objetivo de enviar mais equipamentos militares para reforçar a defesa dos países membros no Leste Europeu em caso de ataque russo.




