China ameaça México e diz para “pensar duas vezes” antes de elevar tarifas de veículos

Pequim pediu cautela e fez ameaça ao México em comunicado na quinta (11).


O Ministério do Comércio da China emitiu um alerta ao México sobre possíveis contramedidas diante da proposta mexicana de elevar de 20% para 50% as tarifas sobre veículos importados da Ásia, especialmente da China. Em comunicado divulgado na noite de quinta-feira (11), Pequim pediu cautela à Cidade do México.

“Esperamos que o México seja extremamente cauteloso e pense duas vezes antes de agir”, afirmou o ministério. “China e México são parceiros comerciais mutuamente importantes. Não estamos dispostos a ver a cooperação econômica de ambos os lados afetada por esta situação.”

O secretário de Economia do México, Marcelo Ebrard, declarou na quarta-feira (10) que a medida ainda precisa da aprovação do Congresso e que, caso seja aprovada, entrará em vigor 30 dias após sua sanção. “A China tomará as medidas necessárias… para salvaguardar resolutamente seus direitos e interesses legítimos”, acrescentou a pasta chinesa.

O governo de Pequim também argumentou que, diante do “abuso de tarifas pelos EUA”, os países devem proteger o livre comércio e que “a coerção de terceiros jamais deve sacrificar os interesses de terceiros”. Segundo reportagem do jornal americano The Wall Street Journal, o pacote mexicano afetaria cerca de US$ 52 bilhões em importações.

A indústria automobilística mexicana, principal empregadora do país, é diretamente beneficiada pelo acordo USMCA, que regula o comércio sem tarifas entre México, Estados Unidos e Canadá, mas exige maior produção local do que o antigo bloco NAFTA — o Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Analistas destacam que tarifas semelhantes já foram aplicadas por outros países. “Com 50%, as tarifas são menores do que as tarifas de 60% que a Rússia aplica aos carros chineses”, afirmou Jorge Guajardo, ex-embaixador do México na China.

Entre 2022 e 2024, fabricantes chineses anunciaram mais de US$ 7 bilhões em investimentos no México, embora nem todos os projetos prometidos pelo regime chinês tenham sido concluídos. A BYD, gigante de veículos elétricos da China, ainda não iniciou a construção de sua fábrica no país, que se tornou o principal destino das exportações chinesas de automóveis.