PT condena “intervenção autoritária” na Venezuela e ofensiva dos EUA

EUA acusam Maduro de comandar cartel e oferecem US$ 50 mi por sua captura.


Em nota assinada pelo senador Humberto Costa (PT-PE), o Partido dos Trabalhadores criticou a movimentação do governo de Donald Trump contra a Venezuela e reafirmou o apoio aos princípios diplomáticos da política externa brasileira em defesa da soberania. No sábado (30), os Estados Unidos enviaram mais um navio de guerra à região, indicando risco de intervenção no país e aumentando a pressão sobre o ditador Nicolás Maduro.

“Não aceitamos ameaças, nem tão pouco atos violentos contra a Venezuela. Nossa região quer permanecer um exemplo ao mundo de convivência pacífica e cooperação, baseada no diálogo respeitoso, conforme previsto no direito internacional e na Carta das Nações Unidas. Não precisamos de intervenções autoritárias, alheias ao continente, para superarmos nossos desafios”, afirmou Costa, que também é secretário nacional de Relações Internacionais do PT.

“Neste momento, é imperativo que prevaleça a serenidade. Ameaças e atos violentos desrespeitam a nossa tradição do diálogo e da construção de soluções pacíficas para os problemas da América do Sul”, acrescentou o senador.

Stephen Miller, chefe de gabinete de Donald Trump, declarou na sexta-feira (29) que o objetivo das ações militares norte-americanas no mar do sul do Caribe é desmantelar cartéis e facções terroristas estrangeiras no hemisfério sul. No sábado, uma nova embarcação projetada para defesa aérea e capaz de lançar mísseis de longo alcance atracou no Canal do Panamá, vinda do oceano Pacífico, somando-se aos sete navios já deslocados para a região. Um submarino de ataque rápido movido à energia nuclear também foi enviado, com cerca de 4.500 marinheiros a bordo das embarcações americanas.

O governo dos EUA acusa o ditador Nicolás Maduro de liderar um cartel de drogas e elevou para 50 milhões de dólares a recompensa por sua captura. “A patética ‘recompensa’ é a cortina de fumaça mais ridícula que já vimos”, reagiu o chanceler venezuelano, Yván Gil.