O cruzador lança-mísseis USS Lake Erie, da Marinha dos Estados Unidos, atravessou o Canal do Panamá na noite de sexta-feira (29), vindo do Pacífico, em meio à intensificação da presença naval americana no Caribe e nas proximidades da Venezuela. A embarcação passou pela eclusa de Pedro Miguel por volta das 21h30 no horário local (23h30 de Brasília), iniciando a travessia de 80 km rumo ao Atlântico, que leva cerca de oito horas.
O Lake Erie, identificado pelo número 70 pintado em branco no casco, havia permanecido dois dias atracado no porto de Rodman, na entrada do canal pelo lado do Pacífico. Moradores e turistas acompanharam a passagem do navio a partir de um mirante próximo às margens do canal.
Segundo autoridades, sete navios de guerra dos EUA, além de um submarino nuclear de ataque rápido, estão ou estarão em breve na região, mobilizando mais de 4.500 marinheiros e fuzileiros navais. O governo do presidente norte-americano Donald Trump afirma que a operação tem como objetivo o combate ao narcotráfico, reforçando acusações de que o ditador venezuelano Nicolás Maduro lideraria um cartel de drogas — alegação negada por Caracas. Washington elevou recentemente para US$ 50 milhões a recompensa por sua captura.
Três navios lança-mísseis americanos devem posicionar-se nos próximos dias em águas internacionais próximas à Venezuela. Como resposta, o governo venezuelano anunciou o envio de 15 mil militares e policiais à fronteira com a Colômbia, além do patrulhamento de suas águas territoriais com drones e embarcações navais. Maduro declarou ainda contar com 4,5 milhões de milicianos diante das “ameaças” dos Estados Unidos, embora especialistas questionem esse número.
A movimentação militar preocupa governos da região, incluindo o Brasil. Na quinta-feira (28), ao receber o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condenou “ameaças ilegais de uso da força” sob o pretexto de combate ao crime organizado.




