Maduro pede à ONU que interrompa envio de navios militares dos EUA

Os EUA acusam Maduro de narcoterrorismo e ofereceram recompensa de US$ 50 milhões por sua captura.


Diante das ameaças de uma intervenção norte-americana, o governo da Venezuela enviou uma carta à Organização das Nações Unidas (ONU) solicitando apoio diante do avanço da frota enviada pelo governo de Donald Trump ao Caribe.

O documento, assinado pelo ditador Nicolás Maduro e endereçado ao secretário-geral da ONU, António Guterres, pede que a organização exija a suspensão da operação naval dos EUA rumo à costa venezuelana. Maduro classificou a medida como “ameaça gravíssima”.

“A humanidade e esta organização não podem permitir que, em pleno século XXI, ressurjam políticas de força que ponham em risco a paz e a segurança internacionais”, diz o texto. “Assim, solicito que vocês instem o governo dos Estados Unidos a pôr fim a essas ações hostis e respeitar a soberania, a integridade territorial e a independência política da República Bolivariana da Venezuela.”

Washington anunciou o envio de sete navios de guerra e um submarino de ataque rápido ao Caribe, sob a justificativa de combater cartéis de drogas. As embarcações chegaram à região na quinta-feira (28). A Casa Branca, por meio de sua porta-voz, Karoline Leavitt, afirmou que usará “toda a força” contra o regime de Maduro e não descartou a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos.

A carta venezuelana foi enviada à ONU na quarta-feira (27), antes da chegada da frota. Até a última atualização, a organização não havia se manifestado.

O apelo ocorre em meio a relações tensas entre Caracas e a ONU, após relatório de 2024 questionar a transparência das eleições venezuelanas e reconhecer documentos da oposição que apontavam vitória do candidato adversário de Maduro. O governo venezuelano classificou o relatório como “ilegal”.

Em resposta às movimentações militares, Maduro apareceu de farda em visita às tropas, prometendo defender “a paz e a soberania nacional”. Ele anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos e enviou 15 mil soldados à fronteira com a Colômbia.

Os EUA acusam Maduro de narcoterrorismo e ofereceram recompensa de US$ 50 milhões por sua captura. Já Argentina, Equador, Paraguai, Guiana e Trinidad e Tobago apoiaram a posição de Washington e reconheceram o Cartel de los Soles, supostamente liderado pelo venezuelano, como organização terrorista.