O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte, afirmou que Rússia e China estão se preparando para um confronto prolongado com a aliança militar ocidental, na qual os Estados Unidos exercem maior poder e influência estratégica. A declaração foi feita na quarta-feira (27), durante a inauguração de uma fábrica de munições em Unterlüß, na Alemanha.
“Rússia e China estão expandindo suas Forças Armadas e suas capacidades em velocidade e escala”, disse Rutte. “Seu reforço militar aponta para uma direção clara: eles estão se preparando para um confronto e competição de longo prazo, conosco [OTAN]”.
Diante da ameaça, o líder da aliança voltou a pedir que os 32 Estados-membros fortaleçam suas áreas de Defesa e aumentem os investimentos na indústria militar. Desde o início da guerra na Ucrânia, a OTAN tem sido uma das principais fontes de apoio a Kiev. No entanto, após mais de três anos de conflito, os estoques de armamentos de diversos países da aliança se encontram em níveis críticos.
Em maio, Rutte reconheceu que a Rússia supera a OTAN em capacidade de produção de munições, o que explicaria a vantagem russa no campo de batalha. Meses depois, os aliados concordaram em ampliar os gastos militares e destinar 5% do PIB para a Defesa, decisão tomada também sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump, ainda antes de reassumir a Casa Branca, ameaçou retirar os EUA da OTAN caso os aliados não cumprissem as metas de investimentos. Tal possibilidade representaria um golpe decisivo para a organização, já que a maior parte dos recursos vem de Washington. O risco de um afastamento norte-americano também acelerou a corrida armamentista na Europa, em meio ao temor de que uma eventual derrota da Ucrânia represente ameaça direta aos territórios e interesses da aliança.
No mesmo dia das declarações de Rutte, Rússia e China concluíram um exercício naval conjunto na Ásia-Pacífico, envolvendo navios e submarinos de guerra de ambos os países.




