Após reunião do bureau da Organização das Nações Unidas (ONU), em que o Brasil afirmou ter prestado esclarecimentos sobre críticas relacionadas ao alto preço das hospedagens para a COP30, o representante do Panamá, João Carlos Monterrey, publicou sua intervenção no encontro e elevou o tom contra o país, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Monterrey, que também preside o bureau, afirmou que o Brasil não tem ouvido as demandas das delegações.
“Estou absolutamente surpreso e, sinceramente, confuso com o fato de que, pela terceira vez neste Bureau, todas as regiões do mundo falaram com uma só voz à presidência brasileira e, mesmo assim, nossas palavras parecem entrar por um ouvido e sair pelo outro”, escreveu em suas redes sociais após a reunião de sexta-feira (22).
Esta foi a terceira vez que o Brasil precisou prestar esclarecimentos. As críticas concentram-se no alto custo e na quantidade de leitos disponíveis. As diárias partem de US$ 350 (cerca de R$ 1,9 mil), sendo a maioria em casas de família, fora da rede hoteleira. Delegações têm pedido que a sede do evento seja revista, hipótese já descartada pelo governo Lula.
Segundo o Brasil, foram entregues respostas a 48 perguntas. Após o encontro, a secretária da Casa Civil, Miriam Belchior, declarou que “a temperatura tinha baixado”. No entanto, Monterrey afirmou: “É como se estivéssemos vivendo em uma realidade paralela toda vez que participamos dessas reuniões. Além disso, nosso tempo está sendo desperdiçado, e estamos sendo feitos de tolos”.
Ele ainda disse ter solicitado apoio da ONU para pedir formalmente a mudança da sede. O governo brasileiro, por sua vez, prometeu uma força-tarefa para auxiliar delegações na busca por acomodações e negociar preços mais acessíveis.
Até agora, apenas 47 dos 196 países confirmaram presença, número inferior ao esperado. Segundo o governo, a ONU chegou a solicitar um subsídio de US$ 100 por diária, proposta recusada pelo Brasil sob o argumento de que os custos do evento já são elevados.




