Argentina nega ter recebido pedido de asilo de Bolsonaro

Relatório da PF indica que Bolsonaro teria pedido asilo a Javier Milei.


O governo argentino negou nesta quarta-feira (20) ter recebido pedido de asilo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o relatório final da Polícia Federal (PF), Bolsonaro teria elaborado um pedido de asilo endereçado ao presidente argentino, Javier Milei.

Questionada pela emissora CNN Brasil, uma fonte da Casa Rosada afirmou que não houve recebimento do pedido de asilo na Argentina.

No documento encontrado no celular do ex-presidente, ele alegou sofrer perseguição política no Brasil.

“Eu, Jair Messias Bolsonaro, solicito à Vossa Excelência [Milei] asilo político na República da Argentina, em regime de urgência, por eu me encontrar na situação de perseguido político no Brasil, por temer por minha vida, vindo a sofrer novo atentado político, uma vez que não possuo hoje a proteção necessária que se deve dar a um ex-chefe de Estado, bem como por estar na iminência de ter minha prisão decretada, de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional pelas próprias autoridades públicas que promovem a perseguição contra mim, diretamente da mais alta Corte do Poder Judiciário brasileiro, e por preencher todos os requisitos legais, conforme exaustivamente demonstrado ao longo desse requerimento”, diz a carta de Bolsonaro.

Cerca de dois meses antes da elaboração do documento, em 5 de dezembro de 2023, Bolsonaro comunicou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que viajaria à Argentina entre 7 e 11 de dezembro, participando da posse do atual presidente argentino.

A carta foi salva apenas dois dias antes de Bolsonaro se abrigar na Embaixada da Hungria em Brasília, logo após a apreensão de seu passaporte pela PF, entre os dias 12 e 13 de fevereiro de 2024.

De acordo com a PF, embora se trate de um único documento em formato editável, sem data e assinatura, “seu teor revela que o réu, desde a deflagração da operação Tempus Veritatis, planejou atos para fugir do país, com o objetivo de impedir a aplicação de lei penal”, conforme consta no relatório.