O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se apresentou como defensor do multilateralismo em um cenário global marcado pela fragmentação, durante entrevista concedida à agência Reuters na quarta-feira (6). Ele anunciou planos de convocar os líderes da Índia e da China para discutir uma resposta conjunta do grupo BRICS às tarifas impostas pelos Estados Unidos sob a gestão do presidente Donald Trump.
“O que o presidente Trump está fazendo é tácito — ele quer desmantelar o multilateralismo, onde acordos são feitos coletivamente dentro das instituições, e substituí-lo pelo unilateralismo, onde ele negocia individualmente com outros países”, afirmou Lula. “Qual é o poder de barganha de um pequeno país latino-americano contra os Estados Unidos? Nenhum.”
Lula informou que iniciará uma rodada de conversas dentro do BRICS para articular uma reação às medidas tarifárias norte-americanas. Segundo ele, pretende ligar nesta quinta-feira (7) para o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e, em seguida, para o presidente chinês, Xi Jinping, além de outros líderes do grupo, que inclui ainda a Rússia e outras economias emergentes.
“Vou tentar discutir com eles como cada um está se saindo nessa situação, quais as implicações para cada país, para que possamos tomar uma decisão”, declarou. “É importante lembrar que os BRICS têm dez países no G20”, acrescentou, referindo-se ao grupo que reúne as 20 maiores economias do planeta.
O presidente destacou que o Brasil ocupa atualmente a presidência do BRICS e manifestou interesse em debater com os aliados as motivações por trás das ações de Trump. “Quero discutir com os aliados por que Trump está atacando o multilateralismo e quais podem ser seus objetivos.”
Trump tem criticado os BRICS, classificando o grupo como “antiamericano” e ameaçando, no mês passado, aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos importados de seus países-membros. Algumas das tarifas mais severas da atual gestão americana incidem sobre esses países.
O Brasil, por exemplo, foi alvo de tarifas de 50% sobre a maioria de suas exportações no mês passado. Trump justificou a medida como resposta à “caça às bruxas” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Na quarta-feira, o republicano também ameaçou impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos da Índia, em razão da dependência de Nova Délhi do petróleo russo. A medida se somaria aos 25% já em vigor. A China e a África do Sul também enfrentam tarifas de até 30%, com alguns produtos chineses sujeitos a sobretaxas adicionais.




