O estado de São Paulo registrou aumento de 8% nas mortes violentas em 2024, totalizando 3.751 casos, ante 3.480 no ano anterior. Os dados constam no 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quinta-feira (24). O principal fator para a elevação foi o crescimento de 61% na letalidade policial, com 813 pessoas mortas por agentes de segurança, em comparação a 504 em 2023.
O índice de mortes violentas considera homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenção policial. Apesar da alta, São Paulo mantém a menor taxa do país: 8,2 mortes violentas por 100 mil habitantes.
A atuação de policiais militares em serviço responde por 80% das mortes atribuídas à polícia. Um dos episódios que mais contribuíram para esse aumento foi a Operação Verão, realizada na Baixada Santista entre fevereiro e abril de 2024, após a morte de um soldado da Rota. A ação resultou na morte de 56 pessoas.
Enquanto os homicídios dolosos caíram 3,6% no período — de 2.728 para 2.630 —, os casos de lesão corporal seguida de morte subiram 68% (de 82 para 138), e os latrocínios aumentaram de 166 para 170 ocorrências.
“A letalidade policial representou 22% do total de mortes violentas intencionais em 2024, ante 14% no ano anterior. Isso está relacionado à política pública”, afirmou David Marques, coordenador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo estudo, ao jornal Folha de S.Paulo.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a revisar sua posição sobre o uso de câmeras corporais por agentes, após um policial militar ser flagrado jogando um homem de uma ponte no fim de 2024.
Em contrapartida, o estado registrou queda nos crimes patrimoniais. O roubo de celulares caiu 21%, de 150.159 casos em 2023 para 118.181 no ano passado. Os furtos de celulares recuaram 12%, com 21.650 ocorrências a menos. Também houve redução nos roubos e furtos de veículos.
Segundo Marques, a queda está relacionada à migração para crimes digitais, como estelionatos. “São Paulo conseguiu reduzir [roubos e furtos de celulares], mas a taxa ainda é superior à média nacional”, afirmou.




