Empresários de SC fazem manifesto e afirmam que Brasil caminha “rumo à venezuelização”

Aumento do IOF indica instabilidade; país “à beira do insustentável”.


Um grupo composto por 183 entidades empresariais de Santa Catarina divulgou, na segunda-feira (21), um manifesto com críticas contundentes à condução da política econômica do governo federal. O documento, assinado por associações comerciais, federações do varejo e da indústria, denuncia o avanço da carga tributária e traça um paralelo entre o atual cenário brasileiro e a realidade vivida pela Venezuela.

A principal preocupação do grupo é o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), interpretado pelos empresários como um indicativo de crescente instabilidade econômica. Para as entidades, o país estaria “à beira do insustentável”.

“Está ficando cada vez mais evidente que o Brasil caminha a passos largos rumo à venezuelização da população”, afirma o texto.

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Florianópolis (CDL) reforçou o posicionamento, alegando que “a máquina pública incha ao ponto do insustentável”. A entidade acusa os gestores públicos de evitarem os reais problemas estruturais, preferindo “recorrer à eterna solução fácil de elevar a carga tributária que já é, para surpresa de zero pessoas, a maior do mundo”.

O manifesto aponta ainda um distanciamento entre parte da classe política e a realidade da população. Segundo o texto, muitos representantes “mal conseguem andar com a cabeça erguida nas ruas, sob pena de sofrer a imediata reprovação daqueles que os sustentam”.

Há também críticas à ausência de reformas estruturais. “É absolutamente inaceitável que, em um cenário econômico já tão adverso, o Poder Público opte por onerar ainda mais os cidadãos e as empresas, sem se dar ao trabalho de realizar a tarefa elementar de promover uma urgente reforma estrutural que elimine desperdícios, combata a ineficiência e a corrupção, priorize a gestão responsável dos recursos públicos e recoloque o País no rumo da ‘Ordem e Progresso’ estampada na nossa bandeira.”

O documento não menciona nomes de autoridades, mas expressa um claro descontentamento com os rumos da política econômica. “A sociedade civil, acuada, não consegue dar conta dos desafios impostos por aqueles que nos governam.”

Na conclusão, os signatários pedem reação imediata da sociedade. “Estamos calados demais. Sofrendo demais. O Brasil está na contramão de avanços civilizatórios duramente conquistados e essa conta – sempre amarga – é suportada por todos nós. Dizer ‘basta’ não adianta. Precisamos reagir e logo, se ainda quisermos ter um País para chamar de nosso.”